Infidelidade x traição: o que representa cada conceito, de acordo com especialista em relacionamentos
Psicólogo de relacionamentos analisa como a quebra de acordos, o sigilo e a mentira podem afetar o vínculo de um casal
Os termos “infidelidade” e “traição” costumam aparecer como sinônimos. No entanto, do ponto de vista psicológico e dependendo da dinâmica do casal, podem ter significados totalmente diferentes no vínculo amoroso.
Para o psicólogo de relacionamentos Thomas Schultz-Wenk, compreender essa distinção é fundamental para avaliar se uma relação ainda tem estrutura para se reerguer ou se a confiança foi rompida definitivamente.
Durante o Aurora, maior festival de beleza, bem-estar e saúde, que contou com a presença do Mulher, o especialista analisou o peso desses conceitos nas relações modernas, destacando como a quebra de acordos e o sigilo podem afetar a relação.
Infidelidade x traição, segundo especialista em relacionamentos
O que é a infidelidade?
A infidelidade nada mais é do que quebrar uma regra que o próprio casal combinou — normalmente a de não ficar com mais ninguém. Em um namoro ou casamento monogâmico, se envolver com uma terceira pessoa seria passar por cima desse combinado. A infidelidade, portanto, diz respeito à quebra da regra de exclusividade praticada pelo casal.
No entanto, na visão de Thomas os acordos não são universais e dependem do que o casal definiu como regra do jogo. O especialista ressalta que muitos casais buscam alternativas para evitar a ruína de casamentos duradouros, mas esbarram na dificuldade de renegociar esses limites.
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“Muitos relacionamentos de 20 ou 30 anos se amam loucamente, têm uma parceria muito boa, mas não têm mais atração pela outra pessoa. Isso seria resolvível se eles conseguissem entrar num acordo da não monogamia, mas a maioria não consegue”, observou o psicólogo.
O que é a traição?
Já a traição vai além do sexo ou da atração física: representa a quebra de confiança, da mentira, da omissão e da manipulação. Uma pessoa pode ser infiel sem necessariamente planejar uma teia de dissimulação, mas a traição carrega a quebra da lealdade e o hábito de esconder as coisas.
Para Thomas, a dor mais profunda do parceiro traído raramente vem do ato em si, mas do sentimento de ter sido enganado por alguém em quem confiava plenamente. O especialista aponta como o comportamento de manter segredos e a postura autocentrada corroem a essência do “nós”.
“Geralmente, somos uma criatura de posse, na grande maioria. Tem pessoas que não têm tanta posse ou ciúmes, mas a maioria tem. É cruel imaginar que a pessoa que você ama está com outra pessoa”, refletiu o especialista ao abordar o impacto emocional do segredo e da quebra de lealdade.
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A traição, dessa forma, não precisa envolver uma terceira pessoa: ela ocorre sempre que há quebra de lealdade, quebra de acordos implícitos de consideração e quando um dos lados coloca seus desejos individuais acima da integridade do parceiro.
A importância de alinhar expectativas
A grande diferença, portanto, está no impacto contratual e emocional: a infidelidade fere o acordo de exclusividade, enquanto a traição destrói o pilar da confiança.
Para evitar que a relação chegue ao colapso — seja por expectativas irrealistas ou por quebras de lealdade — Thomas Schultz-Wenk reforça que os casais precisam aprender a comunicar com clareza o que esperam e o que estão dispostos a sustentar.
“A pergunta mais importante é: com base em quê eu estou procurando? O que eu busco? E depois vem uma perguntinha que é mais importante e ainda mais difícil: quem eu preciso me tornar para sustentar o que eu escolhi? Porque relacionamento não é só sobre o que a gente quer, é o que a gente também tem a oferecer”.