Comportamento 06 de outubro, 2026 • Por Tatiana Leonel

Especialista em relacionamentos alerta para a importância de pensar nos inegociáveis: “Desconforto”

Psicólogo de relacionamentos esclarece que é fundamental ter seus inegociáveis em mente para não aceitar pouco em relações

Em uma era marcada pelo “catálogo” de opções oferecido pelos aplicativos de relacionamento e pelos descartes rápidos de conexões, ouvir que “ninguém mais quer nada sério” virou uma constante nas conversas sobre amor nos dias atuais.

De acordo com especialista, o problema não é a falta de pessoas interessadas em construir um futuro, mas sim a ausência de clareza sobre o que se busca — e a incapacidade de definir o que é negociável e o que é inegociável em um parceiro.

Qual é a importância de escolher os inegociáveis nos relacionamentos

Durante participação no Aurora, o maior festival de beleza, saúde e bem-estar, que contou com a presença do Mulher, Thomas Schultz-Wenk explicou como a falta de critérios claros faz com que muitas pessoas aceitem relações mornas.

Outras, em contrapartida, criam barreiras inalcançáveis que impedem qualquer conexão real. De acordo com o psicólogo de relacionamentos, quando não existe clareza sobre os próprios limites e desejos, a tendência é cair em armadilhas emocionais e aceitar vínculos que não preenchem de verdade.

(Crédito: ArthurHidden/Magnific)

“Quando você não sabe o que quer, qualquer pessoa minimamente interessante já parece o suficiente. É horrível falar isso como psicólogo, mas a quantidade de relacionamentos medíocres que eu vejo é enorme. E a vida é muito curta para a gente ter uma relação que é mediana, que é medíocre”, alertou o especialista.

Somado a isso, o fenômeno conhecido na psicologia como paradoxo da escolha — intensificado pelas redes sociais e apps de namoro — faz com que as pessoas pulem de uma relação para outra com mais facilidade.

Quando a pessoa sente que tem muitas opções disponíveis, surge o medo constante do arrependimento, o que impede o aprofundamento e torna as conexões superficiais, algo que se agrava ainda mais quando os inegociáveis não são ponderados.

“Ao menor sinal de desconforto, a pessoa já pula para o próximo. Só que, quando ninguém se aprofunda, absolutamente nada se constrói”, pontuou Thomas.

(Crédito: freepik/freepik)

A diferença da hiperexigência e os inegociáveis

Se por um lado a falta de critérios gera relacionamentos superficiais, por outro, traumas e decepções do passado costumam erguer barreiras desproporcionais.

Thomas, portanto, fez um alerta para o que chama de hiperexigência: a criação de um “muro de defesa” tão alto sob o pretexto de ter padrões elevados.

“Critérios a gente tem que ter sempre, muitos critérios. Mas eu vejo uma hiperexigência, um muro tão alto que ninguém consegue transpor. É a busca por um unicórnio sob o discurso de ‘não aceito menos do que isso’. Só que relacionamento não é só sobre o que você exige, é sobre o que você entrega também”.

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(Créditos: Freepik)

Para o psicólogo, eleger o que é inegociável — aquilo de que você não abre mão de jeito nenhum — e o que é negociável —pontos em que é possível ceder — é o único caminho para construir uma relação sólida e realista.

Outro obstáculo apontado pelo especialista é o egocentrismo nos encontros modernos, em que parceiros entram em conversas focados apenas em si mesmos, sem demonstrar interesse genuíno pela história do outro.

Para mudar esse cenário e encontrar relacionamentos saudáveis, Thomas convida a uma mudança de perspectiva e autoanálise, passando por uma lista de inegociáveis, que muda conforme amadurecemos.

“Ao invés da gente perguntar por que está tão difícil encontrar alguém, ou por que ninguém quer mais nada sério, a pergunta mais importante é: com base em quê eu estou procurando? O que eu busco? E depois vem uma pergunta ainda mais importante e difícil: quem eu preciso me tornar para sustentar o que eu escolhi?”.

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