Vocês se conheceram na balada, trocaram alguns beijos, e, por fim, o número de seus telefones. Afinal, foi ele quem pediu. Mas uma semana se passou, o final de semana acabou e nada do telefone tocar. Você, que estava certa de que tinha rolado alguma afinidade, começa a se perguntar o que pode ter acontecido ao dito cujo. Será que perdeu meu número? Foi assaltado e levaram o celular? Sofreu um acidente na volta da festa e entrou em coma? É chato, mas pode acreditar: o cretino, muito provavelmente, vai bem, obrigado. Apenas não se interessou por você.
Este tipo de comportamento deixa muita mulher tiririca da vida. Se já sabem que não vão ligar, por que cargas d’água pedem o nosso telefone? Os motivos são os mais variados possíveis. “É muito sem graça se despedir sem dizer um ‘depois te ligo’. Mas agora descobri algumas alternativas, como o ‘depois a gente se fala’, ou o ‘até mais ver’, do tempo do meu avô. Fica mais sutil e menos esperançoso”, acredita o publicitário Fidélis Alcântara. O jornalista Felipe Varne se aproveita da mesma tática. “Quando sei que não vou ligar, me despeço com um suave ‘ a gente se vê por aí’“, conta.
Já o designer B. J., que pediu para não ser identificado devido à extrema sinceridade com a qual respondeu à entrevista, assume: “Se a mulher está numa de ‘você-vai-me-ligar-ou-não?’, é claro que eu não vou falar: ‘não, na verdade eu só queria te comer’. Mas o simples fato de ela estar com essa insegurança já me deixa com menos vontade de ligar”. Parece duro? O designer jura que tudo depende da postura da mulher. “Se for um encontro casual e ela estiver ali com a mesma intenção que eu, não vejo problema em ser sincero”, afirma.
A maioria dos homens joga na defensiva por medo de demonstrar interesse.
Por que eles não ligam?
“Quando a mercadoria é muito oferecida, ou está podre ou perdida”, filosofa com seus botões o publicitário Fidélis Alcântara. Com Fidélis, a conhecida ” mulher fácil” não tem vez. “É preciso saber se apresentar, mas não apenas no que diz respeito ao vestir, ou ao andar. A diferença está no falar, na postura, na educação”. O designer B. J. é mais direto: “Se a mulher tem mau hálito, falta de higiene, um beijo sufocador, ou convicções religiosas fundamentalistas, dificilmente voltaremos a nos ver”. Simples assim.
Calma! Se nem tudo correu bem na primeira vez, não precisa se desesperar. Há homens, como é o caso do jornalista Felipe Varne, que acreditam em uma segunda chance. “Sexo é sincronia. Dificilmente a primeira vez com alguém será digna de fogos de artifício. O ideal é que tenha sido suficientemente interessante para sugerir encontros futuros”, diz Felipe. Agora, se você tem o péssimo hábito de falar pelos cotovelos, pode esquecer. “Mulheres que falam demais, fazem muitas perguntas, ou que começam a achar que tenho alguma obrigação em relação a elas, não têm futuro”, avisa.
Apesar de todas as explicações que eles se esforçam em dar, há muito marmanjo que não liga por puro medo. Receio de, assim como nós, escutar um fora do outro lado da linha. “A maioria dos homens joga na defensiva por medo de demonstrar interesse. Eles acham que, se ligarem, a mulher vai fugir ou desistir. É uma insegurança em relação ao que elas vão pensar”, assume o consultor Jonas Bastos Júnior, 29 anos. Mas no final, se existir alguma intenção, pode ter certeza: ele vai ligar! “Quem está a fim de se envolver liga sim. Mas às vezes só na semana seguinte, para dar um tempo”, afirma o consultor.
