Até os 8 anos, os pés ainda estão em formação e são especialmente sensíveis às características do calçado; especialista explica o que observar e quais erros evitar
Você sabia que o sapato que seu filho calça hoje pode deixar marcas que vão durar a vida inteira? Embora poucos pais pensem nisso na hora de comprar um novo par, os primeiros anos da infância são decisivos também para a formação de pés saudáveis.
Contudo, nem todo sapato ajuda nesse processo. Isso porque alguns modelos, muito populares e vistos como sinônimo de proteção, podem limitar a postura e a forma de caminhar, além de até alterar a maneira como os pés crescem, de acordo com Patricia Terrível, pediatra e fundadora da Mamma Gaia, espaço multidisciplinar dedicado à saúde materno-infantil.
“O pé da criança não é uma miniatura do pé adulto. Ele é composto majoritariamente por cartilagem e está em desenvolvimento”, afirma. A seguir, saiba mais sobre o assunto:
O tipo de calçado infuencia no formato do pé da criança?

Sim, o tipo de sapato que a criança usa influencia diretamente o formato e a função dos pés. Enquanto calçados rígidos ou muito acolchoados diminuem a consciência corporal com solo – que é essencial para o ajuste do equilíbrio e refinamento da marcha -, os que ficam muito apertados podem ocasionar deformidades estruturais e fraqueza muscular.
Além disso, há uma fase específica para redobrar os cuidados. “Os pais devem ter ainda mais atenção aos tipos de calçado que a criança usa entre os 5 e 8 anos, pois é quando o arco do pé passa a ficar mais visível à medida que amadurece”, pontua Patricia Terrível.
Modelos de calçados indicados por fase

- Fase de pré-marcha: O ideal é que o bebê esteja com o pé descalço na maioria das vezes; para os dias mais frios, a especialista recomenda o uso de meias antiderrapantes. Quando for necessário usar sapatos, que sejam de tecido ou couro extremamente macio (estilo “pantufa”).
- Primeiros passos: Calçados com solado fino (3mm a 5mm), totalmente flexíveis (que permitem ser dobrados ao meio e torcidos) e com a frente larga.
- Marcha estabelecida: Calçados leves, sem elevação no calcanhar, com solado antiderrapante e materiais respiráveis. “A partir daqui, a regra é que haja um espaço de 1 cm a 1,5 cm entre o dedo mais longo e a ponta do sapato”, explica Patricia.
Evitar:
- Sapatos com sola rígida (que impedem o movimento natural do pé na hora de dar o impulso para o próximo passo);
- Calçados com cano alto rígido;
- Calçados com elevação no calcanhar;
- Tênis com amortecimento excessivo.

