O susto pode ser grande, mas a forma como os pais reagem ao início da vida sexual do filho ou filha adolescente faz toda a diferença para a qualidade do vínculo dali em diante
Marcada por intensas mudanças físicas, comportamentais e sociais, a adolescência é um período desafiador também para os pais.
Afinal, é nessa fase que os filhos começam a construir a própria identidade – um processo que envolve, inevitavelmente, descobertas sobre o corpo, os sentimentos e, muitas vezes, o início da vida sexual.
Diante disso, não é raro que muitos pais e mães sejam pegos de surpresa, tomados por um misto de emoções como preocupação, insegurança e dúvidas sobre como agir.
Como agir
A forma como os pais reagem à descoberta do início da vida sexual do filho adolescente é determinante para a qualidade do vínculo dali em diante.

E, de acordo com Renata Lott, psicóloga especializada em adolescentes, reações impulsivas ou de choque, julgamento e punição tendem a fechar o canal de diálogo.
“Antes de qualquer conversa, é fundamental que os responsáveis consigam regular as próprias emoções, para não transformar o momento em confronto. Iniciar com uma fala que demonstre cuidado, e não controle, pode fazer toda a diferença”, explica.
Dessa forma, uma das maiores armadilhas é transformar o diálogo em um interrogatório ou uma palestra ao invés de um espaço de acolhimento.
Até mesmo porque a maioria dos adolescentes já tem acesso a informações “técnicas” sobre sexo – mas não a maturidade para lidar com as implicações emocionais e com a responsabilidade envolvida.

“Mais do que explicar aspectos biológicos, a conversa deve incluir reflexões sobre escolhas, limites, respeito e responsabilidade afetiva. Quando o adolescente se sente ouvido, há mais chances de ele considerar a orientação dos pais”, diz a profissional.
O que deve ser orientado

Renata afirma que, após o início da vida sexual, a orientação dos pais precisa ser ampliada. Ou seja: no lugar da proibição, o foco deve ser a educação e o acompanhamento.
Do ponto de vista da saúde física, por exemplo, é imprescindível abordar temas como prevenção de infecções sexualmente transmissíveis e gravidez, além de garantir acesso à informação de qualidade e, quando necessário, acompanhamento médico.
“No aspecto emocional, os pais devem ajudar o adolescente a refletir sobre o contexto em que essa vivência está acontecendo. Questões como pressão do parceiro, busca por aceitação, autoestima e capacidade de estabelecer limites precisam ser consideradas”, conclui Renata.

