Diante de qualquer suspeita de abuso sexual infantil, é indispensável a procura pela orientação de profissionais especializados e órgãos de proteção à criança
O cuidado com crianças envolve muitas etapas e uma delas é, indiscutivelmente, a atenção aos pequenos sinais do dia a dia e aos “silêncios” com significados.
Nem sempre elas conseguem expressar com palavras o que estão vivendo. Assim, o comportamento muitas vezes se torna a principal forma de comunicação – é o que normalmente acontece diante de situações de abuso sexual.
“As crianças sempre querem comunicar que estão em uma situação desconfortável, violenta ou abusiva, mas escolhem as palavras como último recurso”, explica Luana Cabral, psicóloga e educadora sexual.
É importante lembrar que nenhum sinal, isoladamente, confirma uma situação de abuso. Contudo, mudanças muito repentinas no comportamento de crianças merecem sempre atenção, escuta e acolhimento. Abaixo, veja 2 deles:
Sinais que podem indicar abuso sexual infantil
1. Mudanças repentinas de hábitos

Alterações bruscas na forma de agir da criança são um dos principais sinais de alerta. Um filho que antes tinha bom desempenho escolar pode começar a apresentar dificuldades ou desinteresse. Aquele que dormia bem pode passar a ter insônia, pesadelos ou medo de ficar sozinho.
Também podem ocorrer mudanças na alimentação: comer em excesso ou perder o apetite. “Isso acontece porque é como se a criança quisesse deixar de ser atrativa para o abusador ou mesmo parar de comer para sumir”, aponta Luana.

Essas transformações, de acordo com a especialista, não devem ser ignoradas, principalmente quando surgem de forma repentina e sem explicação aparente.
2. Comportamentos que não são esperados para a idade

Em alguns casos, o sofrimento também pode aparecer de forma mais específica: por exemplo, quando a criança passa a demonstrar comportamentos ou conhecimentos sobre sexualidade que não são compatíveis com sua idade.
Isso pode surgir em brincadeiras com conteúdo sexualizado, desenhos envolvendo genitálias ou falas que indicam exposição a situações inadequadas. Neste caso, o comportamento reflete como um “pedido de socorro” que ela ainda não consegue colocar em palavras.
Mais uma vez, Luana reforça que, além dos sinais, o contexto é o mais importante. “Claro que nunca é algo isolado. Por exemplo, é importante refletir: há manchas pelo corpo da criança? Ela mostra repulsa a algum adulto? Há episódios frequentes e repentinos de isolamentos?”, orienta.
Como agir

Caso você chegue ao ponto de ouvir do seu próprio filho sobre ele ter sido vítima de abuso sexual, é importante agir com calma, acolhimento e firmeza: ouça a criança sem julgamentos, demonstre apoio e reforce que ela não tem culpa pelo que aconteceu.
Em seguida, acione imediatamente os serviços de proteção disponíveis no Brasil. O principal canal é o Disque 100, que funciona gratuitamente, 24 horas por dia, todos os dias da semana.
Além disso é possível procurar o Conselho Tutelar da sua cidade, que atua diretamente na proteção da criança, ou registrar ocorrência em uma delegacia.
Já em situações de emergência, ligue para o Polícia Militar pelo número 190.

