De mãe pra filho

Ele ainda nem chegou ao mundo e já são muitos planos: enxoval, quartinho, babá, creche. Mas qualquer futura mãe irá concordar: enquanto o pequeno não vem, a preocupação primeira é com a saúde. Que atire a primeira fralda suja quem nunca pediu para que o filhote viesse ao mundo saudável e perfeito. Um pedido que pode ficar difícil de ser atendido se entrarem em cena alguns inimigos invisíveis como rubéola, anemia, hepatite, herpes e HIV. Mas não se desespere. Um pouco de atenção com o seu corpo e é possível preveni-las, garantindo a chegada segura do pimpolho.

Ainda no útero

Os primeiros a fazerem parte da lista de inimigos da gestante e do bebê são as doenças congênitas. “Elas são adquiridas por transmissão via placenta enquanto o bebê ainda se encontra no útero ou durante o parto através do contato com fluídos contaminados”, explica Miriam Rika, neonatologista do Hospital e Maternidade São Luiz, em São Paulo. As causas são divididas em dois grupos: genéticas (alterações no DNA da criança) ou ambientais (causadas por radiação, protozoários, vírus, medicamentos, drogas e outros).

Se por um lado muitas doenças genéticas não podem ser evitadas, as de origem ambiental podem ser prevenidas com um pouco de precaução

Existem mais de cinco mil doenças genéticas conhecidas. Algumas são hereditárias e ocasionadas por alterações na estrutura ou no número de cromossomos dos pais, que são transmitidas aos filhos, outras surgem durante o próprio desenvolvimento da criança. A Síndrome de Down, a fenilcetonúria e a anemia falciforme são exemplos de algumas doenças congênitas bem conhecidas. “Enquanto a Síndrome de Down é uma má formação genética causada pela presença de três cromossomos nº 21 (o normal é ter apenas dois), a fenilcetonúria é resultado da ausência ou defeito na enzima fenilalanina hidroxilase e a anemia falciforme uma alteração de proteína da hemácia que leva a mesma a assumir a forma de uma foice”, exemplifica Maria Cecilia Erthal, ginecologista do Centro de Fertilidade da Rede D’OR, no Rio de Janeiro.

Como muitas alterações genéticas não podem ser prevenidas, Maria Cecília faz um pedido: “Sabendo-se da ocorrência de doenças congênitas na família é importante que o casal procure o aconselhamento genético. É o médico quem irá realizar os exames para investigar possíveis doenças e orientar caso seja necessário algum tratamento específico”.

Melhor prevenir que remediar

Se por um lado muitas doenças genéticas não podem ser evitadas, as de origem ambiental podem ser prevenidas com um pouco de precaução. Para que você saiba como mantê-las bem longe do seu filhote, o Bolsa de Bebê conversou com especialistas e listou os sintomas, conseqüências e cuidados das principais doenças transmitidas de mãe para filho. Olho vivo!

Rubéola

É uma doença causada por vírus e transmitida pelo ar ou pelo contato direto com as secreções da pessoa infectada. Costuma ser contraída na infância juntamente com o sarampo e a catapora. Mas quando ocorre durante os três primeiros meses de gravidez – através da invasão da placenta pelo vírus – “pode levar o bebê à surdez, além de causar catarata congênita e, até mesmo, deficiência mental e retardo do crescimento”, revela Maria Cecília. Os sintomas costumam ser febre baixa, manchas rosadas na pele, vermelhidão nos olhos, dores musculares e nas articulações. “A boa notícia é que o aparecimento da rubéola pode ser prevenido com a vacinação da mulher antes de engravidar”, alerta a ginecologista.

Toxoplasmose

Causada pelo parasita Toxoplama Gondii, a toxoplasmose tem como principal portador animais domésticos, sobretudo o gato e, portanto, costuma ser transmitida pelo contato direto com as fezes e urina do bichano. “Durante a gravidez, essa infecção pode levar a alterações oculares e na formação do sistema nervoso central (deficiência mental) do recém-nascido”, afirma Maria Cecília. Além disso, aumenta as chances de abortamento e retardo no crescimento fetal. O diagnóstico é feito por exame de sangue e mulheres que já tiveram toxoplasmose não correm risco de nova contração da doença durante a gestação. Vale lembrar que, ainda que não seja necessário a gestante se desfazer de seu bichinho, é prudente que ela evite contato prolongado com o animal.

Hipotireoidismo

Trata-se da diminuição na produção dos hormônios da glândula tireóide. Pode ser decorrente de defeitos hereditários das enzimas que sintetizam os hormônios ou resultado de doenças e medicamentos utilizados pela mãe que interferem no funcionamento da glândula do filho. “A evolução sem tratamento pode levar a retardo mental e deficiência de crescimento”, alerta Maria Cecília. A doença é facilmente diagnosticada através do teste do pezinho até a quarta semana de vida do bebê. São sintomas de hipotireoidismo: choro rouco, hérnia umbilical, apatia, reflexos diminuídos e ressecamento de pele.

Hepatite B e C

A hepatite B e a hepatite C são inflamações do fígado causadas por vírus e transmitidas para o bebê através do contato com o sangue e secreções corporais contaminadas da mãe durante o parto ou no pós-parto. E através do leite, da saliva, ou do contato com o sangue da mãe. “Se transmitidas ao recém-nascido, ambas as hepatites podem levar ao aparecimento de lesões cancerígenas hepáticas”, revela Maria Cecília.

Enquanto os portadores de hepatite C costumam apresentar sintomas parecidos com os de uma gripe, as principais indicações de que a gestante está com hepatite B são: dores no corpo, cansaço, falta de apetite, febre, coceira e coloração amarelada na pele. Para prevenir o aparecimento da hepatite B, a vacinação é de extrema importância. “Todos com menos de 18 anos podem se vacinar gratuitamente em qualquer posto de saúde”, alerta a especialista. Já para a Hepatite C ainda não existe vacina e a doença é diagnosticada através de exame sanguíneo no pré-natal.