Projetos pessoais, realização profissional e até condições financeiras estão motivando cada vez mais mulheres a mudarem os planos em torno da maternidade. Enquanto algumas desistem de ter filhos, outras simplesmente deixam para engravidar em uma idade mais madura.
Assim, a tendência das gestações após os 40 anos vem aumentando todos os anos e já não são raros os casos de mulheres que tomam essa decisão. Famosas como Sabrina Sato, Anne Hathaway e Gisele Bündchen são exemplos de que é possível ser mãe em uma idade em que a fertilidade feminina é colocada em xeque.
Gravidez após os 40 anos
Limitação dos óvulos

De acordo com o ginecologista Armindo Dias Teixeira, especialista em reprodução assistida, as chances engravidar por meios naturais diminuem após os 35 anos. Isso porque as mulheres nascem com um número determinado de óvulos e esse fator determina, ao longo da vida fértil, algumas faixas etárias que se tornam críticas para uma gravidez.
Para se ter uma ideia da perda de fertilidade, aos 30 anos, uma mulher tem 80% de chance de engravidar naturalmente dentro do período de um ano. Depois dos 40, a possibilidade de engravidar a partir dos seus próprios óvulos reduz para 30% e vai caindo a cada ano.
“Após os 40, a fertilidade da mulher diminui porque a quantidade e a qualidade dos óvulos também se reduz”, explica.
Uma saída para quem quer ter uma gestação tardia é o congelamento de óvulos. Neste caso, o médico recomenda que o procedimento seja feito até os 35 anos – idade em que os óvulos ainda são considerados jovens.
Fecundação natural

Apesar de limitante, a idade da mulher não impede uma concepção natural. Porém, a possibilidade está sujeita a fatores que vão desde a saúde da mulher até à predisposição genética à infertilidade.
“A idade é inevitável, mas as mulheres que querem engravidar devem adotar um estilo de vida equilibrado para que a gravidez aconteça de forma saudável. Quando uma pessoa se cuida, o organismo todo é beneficiado”, afirma Armindo.
A gravidez acima dos 40 anos também exige uma supervisão médica mais dedicada para que sejam avaliadas todas as condições de saúde da mulher.
“É preciso investigar causas gerais de infertilidade, como, por exemplo, se há alguma doença nas trompas, ovários ou útero, e se ela está ovulando da forma correta. Vale fazer um acompanhamento geral do sistema reprodutivo e da saúde da mulher como um todo para garantir que seja possível uma gestação”, orienta o ginecologista.
Caso não aconteça de maneira espontânea, a gravidez pode ser “induzida” através de tratamentos médicos, como reposição hormonal e inseminação artificial, entre outros.
Segundo Armindo, nenhum tratamento tem 100% de chances de darem certo, mas a fertilização in vitro (FIV) é o método mais assertivo para quem tem pressa.
Quais são os riscos?

Mesmo sendo possível, uma gravidez tardia carrega certos riscos para a mãe e o bebê. A partir dos 40 anos, a mulher está mais propensa a ter problemas de saúde, já que aumentam, por exemplo, os casos de hipertensão e diabetes gestacional.
Existem também outros obstáculos inerentes ao avanço da idade, como o envelhecimento do útero e do assoalho pélvico – que podem ser “corrigidos” com tratamentos indicados por médicos e especialistas.
Além disso, as mulheres com idades acima dos 40 possuem maiores riscos na gestação, podendo sofrer com aborto espontâneo, parto prematuro e anomalias placentárias.
Entretanto, com um pré-natal rigoroso e medidas preventivas, as chances de ocorrerem problemas de desenvolvimento do bebê caem consideravelmente.
Cuidados

Junto com as consultas periódicas, a mulher também deve ter alguns cuidados especiais – tanto antes de engravidar quanto durante a gestação.
Para garantir uma gravidez saudável, é recomendada a adoção de práticas que incluem um preparo corporal com exercícios, alimentação adequada e exclusão de hábitos prejudiciais, como tabagismo e sedentarismo.

