Empoderamento 21 de setembro, 2026 Por Bruna Somma

Patricia Lima transforma experiência na beleza em protagonismo brasileiro no exterior

Patricia Lima B-Beauty

Após fundar e liderar a Simple Organic por oito anos, Patricia Lima criou a B-Beauty & Wellness para fortalecer o ecossistema de beleza e bem-estar nacional

Se empreender é, também, aprender a se transformar junto com o próprio negócio, Patricia Lima, fundadora da Simple Organic e, agora, da B-Beauty & Wellness, passou por essa jornada porque conseguiu identificar oportunidades, questionar modelos estabelecidos e encontrar novas maneiras de gerar impacto.

A empresária construiu uma carreira dedicada a repensar a indústria da beleza – primeiro com uma marca que ajudou a impulsionar o movimento de clean beauty no Brasil e, agora, com uma iniciativa voltada à projeção internacional do setor, como já aconteceu com a K-Beauty, por exemplo.

De uma marca a um ecossistema de beleza

Patricia Lima B-Beauty
(Créditos: Divulgação)

Fundada em 2017, a Simple Organic nasceu de uma inquietação sobre a maneira como a indústria de cosméticos funcionava e a relação das consumidoras com o consumo. Naquele momento, a busca por transparência, sustentabilidade e ingredientes mais limpos começava a se destacar, mas ainda havia muito a ser desenvolvido no mercado brasileiro.

Foi quando Patricia enxergou a oportunidade de criar uma marca alinhada a essas transformações e apostou em cosméticos orgânicos, veganos e cruelty-free. “A Simple nasceu dessa vontade de construir a marca que eu sentia que estava faltando”, conta.

Contudo, após a compra da Simple Organic pela Hypera Pharma, Patricia permaneceu à frente do negócio e, durante sua gestão, acompanhou um crescimento de 16 vezes.

Empreender é um exercício constante de se tornar a pessoa que o negócio precisa naquela fase. A habilidade que te leva até determinado ponto não necessariamente é a que vai te levar para o próximo”, afirma.

Depois de construir e liderar uma empresa, Patricia percebeu que seu próximo passo poderia ir além da criação de uma nova marca. E foi dessa percepção que surgiu a B-Beauty & Wellness, iniciativa criada para posicionar a beleza brasileira nas conversas internacionais sobre inovação e bem-estar.

Patricia Lima B-Beauty
(Créditos: Divulgação)

O movimento conecta marcas, fundadores e narrativas que representam o Brasil contemporâneo, atuando em três frentes: internacionalização de marcas, construção de narrativa e fortalecimento do ecossistema local. “Eu queria usar o repertório que construí para ajudar a fortalecer uma indústria”, explica Patricia.

Além disso, a B-Beauty também reflete uma mudança na maneira como ela enxerga o empreendedorismo. Se, em um primeiro momento, o foco estava na construção de uma marca, agora o objetivo é criar conexões entre diferentes agentes do setor.

“A B-Beauty nasce como um movimento coletivo porque eu acredito que uma indústria ganha muito mais força quando marcas, fundadores e diferentes agentes começam a construir juntos”, diz.

Aprender a mudar junto com o negócio

Patricia Lima B-Beauty
(Créditos: Divulgação)

Olhando para as diferentes etapas de sua carreira, Patricia destaca a importância de não se apegar às fórmulas que funcionaram anteriormente. Para ela, reconhecer as mudanças do mercado é tão importante quanto compreender que cada fase de uma empresa exige novas habilidades de quem está à frente dela.

Na B-Beauty, essa leitura se traduz na compreensão de que o interesse global pelo Brasil pode abrir caminhos para o fortalecimento da indústria nacional, desde que exista uma articulação capaz de transformar esse interesse em oportunidades concretas.

Ninguém constrói nada relevante sozinha. Ter pessoas boas por perto, pedir ajuda, ouvir quem sabe mais do que você e construir relações de confiança não diminuem a sua capacidade como empreendedora. Pelo contrário”, ressalta a empreendedora.

O medo também faz parte do recomeço

Patricia Lima B-Beauty
(Créditos: Divulgação)

A experiência de construir uma empresa, acompanhar seu crescimento, atravessar uma aquisição e iniciar um novo negócio não eliminou as inseguranças de Patricia. Pelo contrário: a empreendedora hoje reconhece que começar de novo continua sendo um processo que envolve dúvidas e desafios.

A diferença, de acordo com ela, está na compreensão de que não é necessário ter todas as respostas antes de dar o primeiro passo.

Por fim, a empreendedora aconselha mulheres que desejam abrir o próprio negócio, mas ainda hesitam em começar: “Eu diria para não esperar o medo passar, porque provavelmente ele não vai.”

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