Fernanda Camargo
Do Bolsa de Bebê
“A ovulação é a produção e liberação do óvulo pelo ovário que normalmente ocorre uma vez por mês, possibilitando uma gestação”, explica o Dr. Cezar Noboru Matsuzaki, ginecologista e obstetra no Instituto Abathon, em São Paulo. De acordo com Wagner Rodrigues Hernandez, ginecologista e obstetra, todos os meses um óvulo é recrutado por um hormônio denominado folículo estimulante (FSH) e liberado após um pico de outro hormônio , o luteinizante (LH), que se dá pelo aumento do estrogênio na circulação.
O Dr. Cezar diz que a ovulação ocorre, geralmente, no meio do ciclo menstrual e pode serno mesmo período se a mulher tiver menstruações regulares mensalmente. “É possível afirmar que uma mulher com ciclos regulares ovula 14 dias antes da próxima menstruação”, complementa o Dr. Wagner. Se o ciclo for irregular, esse período pode variar.
É possível saber se a mulher está nesse período tanto por meio de exames, testes, quanto por outros fatores que indicam a ovulação. “O corpo da mulher apresenta alguns sinais, como o aumento de até meio grau centígrado da temperatura do corpo; a alteração do muco cervical, em que a secreção vaginal é límpida, com aspecto de clara de ovo e aparece por três a quatro dias na ovulação; e a dor do meio, na parte inferior do abdômem, 14 dias antes da próxima menstruação”, explica o Dr. Wagner. O Dr. Cezar comenta que, por meio de exames de ultrassonografias seriadas, pode-se acompanhar o desenvolvimento do folículo no ovário. “Existem ainda os testes de farmácia que a própria paciente pode realizar coletando a urina ou saliva”, diz o Dr. Cezar.
Dr. Wagner Hernandez esclarece que as mulheres, por conta das alterações hormonais, têm sua libido mais acentuada no período fértil. “Além disso, alguns estudos demostraram que elas ficam mais atraentes, como no caso das flores que se tornam mais chamativas para os insetos as fertilizarem”, explica.
Depois da ovulação ainda há um longo processo. “O óvulo liberado pelo ovário é captado pela tuba uterina, por onde migra para a cavidade interna do útero. Se nesse trajeto encontrar o espermatozóide, pode ocorrer a fecundação e implantação do embrião na cavidade uterina”, diz o Dr. Cezar. Ou seja, a mulher pode engravidar. Se não houver a fecundação, explica o Dr. Wagner, “o organismo reconhece a queda da progesterona e ocorre a menstruação, preparando a mulher para o início de um novo ciclo”.
Para as mulheres que querem engravidar, o Dr. Cezar diz que, em relação à tabelinha, o melhor período é calculado por meio da avaliação das últimas três a quatro menstruações. “Faz-se o cálculo do período entre uma e outra menstruação em número de dias. Por exemplo, uma mulher que menstrua a cada 30 dias em média. Subtrai-se 14 dias (30 – 14= 16). Ter relações em dois a três dias antes e até um dia depois”, recomenda o doutor.
O Dr. Wagner diz que “se o objetivo for evitar a gestação, a mulher não poderá ter relações neste momento e deve usar um período de segurança em média sete dias antes e após a ovulação (tabelinha)”. Ele ressalta que a tabelinha tem grandes taxas de falha e não é o método contraceptivo mais eficaz.
A ovulação pode ser prejudicada quando a prática de exercícios é excessiva. O Dr. Cezar conta que isso ocorre por conta da liberação de endorfinas pelo cérebro que, em excesso, pode inibir a ovulação. “Verificamos essa situação nos casos de atletas de competição. Devido à atividade física de alto desempenho, associado muitas vezes à baixos índices de gordura corporal, provocam bloqueio hormonal resultando em anovulação e consequentemente ausência da menstruação por meses o que chamamos de amenorreia”, diz o Dr. Wagner.
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