Gravidez e bebês 16 de julho, 2026 Por Bruna Somma

Fotógrafa de parto revela bastidores de mais de 650 nascimentos: “Cada bebê também faz nascer uma família”

fotógrafo de parto

Ana Paula dos Santos Faria explica como é a rotina de uma fotógrafa de parto, relembra o nascimento mais marcante da carreira e fala sobre a missão de preservar um dos momentos mais importantes da vida de uma família

Quem vê as fotos emocionantes do primeiro encontro entre pais e filhos dificilmente imagina o trabalho que existe por trás de cada registro.

Afinal, para uma fotógrafa de parto, a rotina envolve plantões sem horário definido, equipamentos sempre prontos e a responsabilidade de documentar um dos momentos mais transformadores da vida de uma família.

Foi justamente esse propósito que levou Ana Paula dos Santos Faria a trocar ensaios e eventos pela fotografia de nascimento. Hoje, após mais de uma década de dedicação exclusiva à área, ela já registrou mais de 650 partos e coleciona histórias que marcaram sua trajetória.

Como surgiu a paixão pela fotografia de parto

fotógrafo de parto
(Créditos: Anapê Fotografia)

Ana Paula começou a trabalhar com fotografia em 2008, logo após se formar. Durante vários anos atuou em festas infantis, ensaios de família e casamentos, até descobrir um universo que mudaria completamente sua carreira.

“Em 2014 comecei a estudar fotografia de parto. Sempre fui apaixonada por histórias reais e percebi que nenhum momento era tão intenso e transformador quanto o nascimento de um bebê”, conta.

No ano seguinte, ela iniciou o processo de credenciamento nas maternidades para atuar dentro dos hospitais, aprendendo protocolos médicos e a dinâmica das equipes de saúde. No mesmo período, também viveu a experiência da maternidade com o nascimento do próprio filho, Felipe.

“Ser mãe fortaleceu ainda mais minha certeza de que estava no caminho certo”, afirma ela, que passou a se dedicar exclusivamente aos registros de nascimento desde então.

Rotina

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(Créditos: Acervo pessoal)

Ao contrário de outras áreas da fotografia, o nascimento não pode ser marcado com dia e horário: o bebê é quem decide quando chegar. Por isso, Ana Paula, que tem sua própria empresa, a “Ana + Rafa, Foto e Afeto”, vive permanentemente de sobreaviso.

“Preciso manter os equipamentos prontos, baterias carregadas, cartões organizados e o celular sempre por perto. Existem partos que acompanho por mais de 20 horas”, pontua a fotógrafa.

Essa disponibilidade, contudo, também exige uma grande estrutura familiar. O marido de Ana Paula, Rafael, é sócio do negócio e cuida da parte operacional, logística e dos bastidores enquanto ela está nas maternidades.

Além disso, uma rede de fotógrafas parceiras ainda garante cobertura caso dois ou mais partos aconteçam simultaneamente.

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(Créditos: Acervo pessoal)

“Existem semanas em que nenhum bebê nasce e outras em que todos resolvem chegar ao mesmo tempo. Ter esse apoio é fundamental para que nenhuma família fique sem atendimento”, explica Ana Paula.

A história que nunca saiu da memória

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(Créditos: Acervo pessoal)

Depois de acompanhar centenas de nascimentos, escolher apenas um momento marcante não é tarefa fácil. Ana Paula diz que sempre se emociona quando os pais optam por descobrir o sexo do bebê apenas no parto, mas existe uma história que permanece viva em sua memória.

Ela relembra uma cliente que, durante a primeira gestação, sofreu um descolamento prematuro de placenta por volta das 35 semanas e perdeu o bebê. Embora não tenha fotografado aquele nascimento, permaneceu ao lado da família oferecendo acolhimento.

Cerca de um ano e meio depois, recebeu uma nova ligação: a mesma mulher queria registrar o momento em que revelaria ao marido uma nova gravidez durante uma consulta médica.

Mais tarde, Ana Paula também fotografou o nascimento desse bebê. “A família escolheu a mesma equipe médica da gestação anterior. Ver todos reunidos, emocionados e celebrando aquela nova vida foi inesquecível. Sempre que lembro dessa história, meus olhos se enchem de lágrimas”, diz.

Como registrar sem interferir no parto

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(Créditos: Acervo pessoal)

Segundo a fotógrafa, a confiança construída com a família é o que permite registrar momentos tão íntimos sem interferir no ambiente: “A fotografia de parto começa muito antes da câmera. Ela começa com a escuta.”

Assim, durante o nascimento, ela procura ser praticamente invisível, respeitando tanto o espaço da família quanto o trabalho da equipe médica.

“A técnica é importante, mas é a sensibilidade que faz diferença. Meu objetivo nunca é dirigir a cena, e sim preservar a verdade daquele momento”, observa Ana Paula.

A maior lição de acompanhar mais de 650 nascimentos

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(Créditos: Anapê Fotografia)

Depois de tantos registros, Ana Paula afirma que aprendeu uma das maiores lições da vida. “Nenhum nascimento é apenas sobre um bebê. A cada parto também nasce uma mãe, um pai e uma família”, ressalta.

De acordo com ela, acompanhar tantas histórias também ensinou a valorizar os pequenos instantes e compreender que cada nascimento é único, independentemente da forma como acontece.

“Tenho certeza de que meu trabalho vai muito além da fotografia. Eu ajudo a preservar memórias que, com o passar dos anos, se tornam um dos bens mais valiosos de uma família”, revela.

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