A toxoplasmose durante a gestação exige acompanhamento imediato, mas o diagnóstico não significa, necessariamente, que o bebê será afetado
O diagnóstico de toxoplasmose durante a gravidez costuma gerar medo e muitas dúvidas, e não é à toa: a infecção parasitária é frequentemente associada a complicações para o bebê.
Contudo, é importante lembrar que, dependendo do estágio da gravidez, nem toda mulher com toxoplasmose transmite o parasita ao feto e que o tratamento precoce é também capaz de reduzir o risco. A seguir, tire suas dúvidas sobre o assunto.
O que fazer ao descobrir a toxoplasmose na gravidez?

A toxoplasmose, infecção causada pelo parasita Toxoplasma gondii, provoca poucos ou nenhum sintoma na maioria das pessoas saudáveis, segundo o Ministério da Saúde. Porém, a doença merece atenção especial durante a gestação, já que pode ser transmitida ao bebê por meio da placenta, causando a chamada toxoplasmose congênita.
O primeiro passo é manter a calma e procurar imediatamente o obstetra. Isso porque o diagnóstico, de acordo com o Centers for Disease Control and Prevention (CDC), precisa ser confirmado por exames laboratoriais específicos.
No caso de a infecção ser confirmada durante a gestação, o médico pode solicitar exames complementares para investigar se houve transmissão para o bebê, como ultrassonografias seriadas e, em situações específicas, análise do líquido amniótico.
Riscos para o bebê

O risco de transmissão do parasita aumenta conforme a gravidez avança. No entanto, quanto mais cedo ocorre a infecção durante a gestação, maiores costumam ser as consequências para o bebê.
Assim, de forma geral, tanto o risco de transmissão quanto o de complicações aumentam no segundo trimestre.
E, mesmo bebês que nascem sem sintomas podem desenvolver alterações meses ou anos depois. Entre as possíveis complicações da toxoplasmose congênita estão alterações oculares, perda auditiva, hidrocefalia, calcificações cerebrais e atraso no desenvolvimento neurológico.
Mas, vale ressaltar: tudo isso pode acontecer caso mãe e feto não sejam acompanhados e tratados adequadamente. E é justamente por muitas gestantes permanecerem assintomáticas que o diagnóstico costuma acontecer por meio dos exames realizados durante o pré-natal.
Toda gestante com toxoplasmose transmite para o bebê?

Não. A infecção materna não significa automaticamente que o bebê será infectado.
O Ministério da Saúde é enfático: o tratamento iniciado precocemente pode diminuir o risco de transmissão pela placenta. Por isso, o acompanhamento durante todo o pré-natal é indispensável.
Sintomas
A maioria das pessoas infectadas não apresenta sintomas. Quando eles aparecem, costumam ser leves e semelhantes aos de uma gripe. Os sinais mais comuns são:
- Febre baixa;
- Cansaço;
- Dor no corpo;
- Dor de cabeça;
- Gânglios aumentados (ínguas), principalmente no pescoço.
Tratamento
O tratamento varia conforme a idade gestacional e a confirmação ou não da infecção fetal. Quando há apenas confirmação da infecção materna, costuma ser indicada a espiramicina, medicamento que reduz o risco de transmissão para o bebê.
Mas se houver confirmação ou forte suspeita de infecção fetal, os cuidados profissionais incluem a combinação de pirimetamina, sulfadiazina e ácido folínico, conforme diretrizes da Febrasgo (Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia).
Como prevenir a toxoplasmose na gravidez

- Consumir apenas carnes bem cozidas;
- Lavar cuidadosamente frutas, verduras e legumes;
- Higienizar as mãos após manipular alimentos crus;
- Evitar leite não pasteurizado e derivados feitos com leite cru;
- Utilizar luvas ao mexer com terra ou jardinagem;
- Evitar contato direto com fezes de gatos.
Vale lembrar que conviver com gatos não representa, por si só, um risco elevado.
Afinal, os felinos costumam eliminar o parasita nas fezes apenas por um curto período após serem infectados. Além disso, gatos que vivem exclusivamente dentro de casa e se alimentam de ração apresentam menor probabilidade de transmitir a doença.

