Comportamento 23 de julho, 2026 Por Bruna Somma

“Beauty burnout”: como saber quando a rotina de autocuidado virou obrigação?

beauty burnout

Especialista explica como o excesso de skincare, cosméticos e procedimentos estéticos pode levar ao “beauty burnout”, fenômeno marcado pelo esgotamento mental em nome da beleza

Com vídeos que mostram rotinas de skincare de dez etapas, lançamentos diários de cosméticos e uma enxurrada de procedimentos estéticos nas redes sociais, a conclusão é clara: a busca pela perfeição de si mesma nunca foi tão intensa.

Dessa forma, muitas mulheres hoje enxergam o autocuidado não como um momento de bem-estar, mas como uma obrigação.

O fenômeno, que ganha o nome de beauty burnout, descreve o cansaço físico e mental causado pela pressão para manter uma aparência “ideal”.

Beauty burnout causa medo, ansiedade e comparações

Embora não seja um diagnóstico médico, o conceito de beauty burnout tem sido usado para descrever pessoas, especialmente mulheres, que se sentem sobrecarregadas pela quantidade de etapas, produtos, tendências e padrões estéticos aos quais são expostas diariamente.

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(Créditos: Magnific)

E o problema surge quando a rotina de autocuidado deixa de atender às necessidades reais e passa a ser guiada pelo medo de envelhecer, comparação constante com influenciadores ou pela sensação de estar “ficando para trás” em relação às novidades.

Para Ana Suy, psinacalista e escritora, um dos primeiros indícios do beauty burnout é quando o autocuidado deixa de ser uma experiência prazerosa e passa a ser encarado como uma obrigação, assim como quando há o consumo compulsivo de produtos e tratamentos, e até culpa ao pular a rotina de beleza.

“É preciso atenção quando a pessoa sente que está se cuidando porque ‘alguém mandou’ ou porque quer uma aparência idealizada, completa e perfeita. Afinal, isso não existe para ninguém, é da ordem do impossível”, explica.

A dificuldade em se achar “suficiente”

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(Créditos: Magnific)

O beauty burnout não nasce apenas do excesso de produtos ou de etapas na rotina de beleza, mas da sensação permanente de que sempre há algo para corrigir, melhorar ou aperfeiçoar. Isso porque, em um cenário dominado por filtros, procedimentos estéticos cada vez mais acessíveis e redes sociais que reforçam padrões quase inalcançáveis, a busca pela “melhor versão de si” parece nunca ter um ponto final.

Segundo Ana Suy, a própria ideia de ser “completa” merece ser questionada. “A noção do suficiente já é algo equivocado, afinal, suficiente para quê ou para quem? Viver é suportar que somos ‘furados’, literalmente, temos poros e celulites”, afirma.

Nesse contexto, um dos maiores riscos é a perda da autonomia. No lugar de escolher cuidar da própria aparência por vontade ou bem-estar, muitas pessoas passam a tomar decisões guiadas pela pressão para atender expectativas externas.

De acordo com a psicanalista, a cultura da beleza também normaliza o sofrimento em nome da aparência. “Somos consideradas ‘melhores’ se fizermos mais sacrifícios. O sofrimento passou a ser normalizado especialmente para as mulheres. Quem nunca ouviu: ‘Para ficar bonita tem que sofrer’?”, questiona.

Menos é mais

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(Créditos: Magnific)

Na prática, especialistas têm defendido uma abordagem mais simples e consciente em relação aos cuidados com a beleza.

No caso da pele, por exemplo, dermatologistas reforçam que uma rotina básica e consistente costuma ser mais eficaz do que acumular dezenas de produtos.

O mesmo vale para outros cuidados estéticos: antes de aderir a um novo procedimento ou tratamento, vale refletir se a escolha atende a um desejo pessoal ou apenas à pressão de corresponder a um padrão de beleza.

Afinal, autocuidado deve trazer bem-estar: e não se transformar em mais uma fonte de esgotamento.

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