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Fofura agressiva é normal e "vontade de morder, apertar..." pode até ser necessária

O impulso de "esmagar" algo fofo é explicado pela neurociência como um equilíbrio importante para as emoções humanas.
Publicado 15 Jun 2022 – 04:29 PM EDT | Atualizado 15 Jun 2022 – 04:29 PM EDT
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Bebê tentando "morder" orelha de bicho de estimação, mesmo sem dentinhos Crédito: Regina Burganova/iStock

Por mais inusitado que pareça, não é incomum ouvir de alguém sobre a vontade instantânea de apertar ou "esmagar" algo muito fofo, seja um bebê ou mesmo um filhotinho de cachorro. "Tão fofo que dá vontade de morder": a expressão popular tem seu sentido.

O fenômeno é chamado de ataque de fofura ("cute agression", em inglês) ou " Síndrome de Felícia" (em referência à personagem do desenho animado "Pinky e o Cérebro", que ama abraçar os ratinhos). A neurociência aponta que metade da população já experimentou a sensação pelo menos uma vez na vida, mesmo que não tenha entendido no momento.

Por que existe a fofura agressiva?


À primeira vista, pode até parecer incoerente ter reações "nocivas", mesmo que superficiais, diante de algo fofo, mas de acordo com Li Li Min, neurologista e chefe do Departamento de Neurologia da Unicamp (Universidade de Campinas), trata-se de um descompasso normal entre as emoções humanas.

"No arcabouço cerebral, todas as pessoas são constituídas assim. Não quer dizer que somos más ou que temos tendências negativas por isso, é só uma maneira de reagir, assim como chorar de alegria, por exemplo", explica.


Tal contrabalanço faz parte do sistema de recompensas do cérebro, que entende ser preciso equilibrar algo muito fofo com outro sentimento. Pelo fato das estruturas terem uma íntima ligação com o sistema límbico, é a agressividade, parte dele, que cumpre o papel mediador.

"Mesmo em diferentes culturas, as pessoas agem de forma semelhante. Podem apertar os punhos e cerrar os dentes instintivamente", exemplifica Li.


Já outra explicação para a "vontade de esmagar" faz parte do contexto da evolução humana.

Um ser pequeno, de olhos grandes e estruturas arredondadas preenche todos os pré-requisitos para ser considerado "bonitinho" e, por si só, nos tiraria parte da racionalidade ao ser contemplado.

Respostas agressivas seriam necessárias para retomada do controle e da razão. Por exemplo, um bebê: ainda que extremamente fofo, precisa ser cuidado e protegido, e segundo a teoria, nosso cérebro vai garantir a volta da lucidez para perpetuação da espécie.

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