Especialistas explicam o que os looks combinados revelam sobre os relacionamentos e quando o hábito pode indicar uma busca excessiva por aprovação
Basta dar uma voltinha em parques, shoppings ou eventos diversos para notar que uma nova moda tem tomado os casais: a de usar roupas sincronizadas.
Enquanto há os que optem por usar peças exatamente iguais, como camisetas, moletons ou tênis, outros preferem combinações mais sutis, utilizando a mesma paleta de cores, estampas semelhantes ou acessórios que dialogam entre si. O arranjo pensado, contudo, sempre fica nítido.
Para algumas pessoas, trata-se apenas de uma brincadeira divertida; para outras, é uma maneira de demonstrar afinidade e fortalecer a identidade do relacionamento. O hábito, de fato, é aparentemente fofo – mas também pode representar problemas mais sérios. Saiba mais a seguir:
A psicologia por trás dos looks iguais
Ao longo da história, seres humanos sempre expressaram a necessidade de pertencimento aos grupos dos quais fazem parte por meio de símbolos compartilhados, incluindo a forma de se vestir. Afinal, sentir-se conectado e aceito por pessoas consideráveis é um dos fatores mais importantes para o bem-estar emocional.
Em um relacionamento amoroso, essa identificação também pode aparecer na aparência, de acordo com Fabiana Frade, psicóloga, terapeuta de casais e autora do livro “A Arte de Viver em Parceria: Os Segredos dos Casais de Sucesso”.
“A roupa comunica. Quando um casal se veste, eventualmente, de forma parecida, costuma transmitir união, parceria e cumplicidade. As redes sociais, inclusive, incentivam esse comportamento porque valorizam imagens que contam histórias”, afirma.

E não é necessariamente como se as críticas online de quem não concorda com o costume importassem – os famosos haters -, frisa Marina Vasconcellos, terapeuta de casais: “Para o casal que posta fotos vestidos iguais, o que geralmente convém é atrair olhares e dizer mais uma vez, um ao outro, que estão juntos.”
Quando se torna um problema
Ao mesmo tempo em que o hábito pode ser saudável, já que representa sincronia e companheirismo, é importante diferenciar quando o casal compartilha algo que faz sentido para ele de quando faz isso exclusivamente em busca de aprovação externa.

“A motivação por trás do comportamento costuma ser mais importante do que o comportamento em si”, alerta Fabiana Frade.
O grande ponto de atenção surge quando a semelhança deixa de ser uma escolha espontânea e passa a ser uma exigência. Isso porque, segundo Frade, em relacionamentos saudáveis, a intimidade e a individualidade não são necessidades opostas. “Pesquisas mostram que casais mais satisfeitos sabem equilibrar proximidade emocional e autonomia”, pontua.
Ou seja, não que demonstrações públicas sejam um problema, mas a segurança emocional do casal não deve depender exclusivamente delas.
“O que a ciência comprova é que o comportamento, isoladamente, diz pouco. O mais importante é compreender o significado que aquela escolha tem para aquele casal, e se ela nasce da liberdade, da conexão genuína ou da necessidade de validação”, finaliza Frade.
Comportamento
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