Comportamento 30 de junho, 2016 Por Postos Petrobras

São Cosme e São Damião

Médicos, cristãos e caridosos: São Cosme e São Damião, os santos gêmeos, são homenageados no dia 27 de setembro numa das festas mais gostosas e alegres do calendário religioso brasileiro. Padroeiros dos médicos e farmacêuticos, também são conhecidos como protetores das crianças, o que explica a tradicional distribuição de doces na data, responsável por levar multidões às ruas em busca dos saquinhos recheados de maria-mole, pirulitos, suspiros e balas. Para deixar a festa ainda mais gostosa, o Petrobras De Carona Com Elas conta um pouco mais sobre essa história e ensina a fazer uma deliciosa cocada branca para você incrementar os saquinhos de doces.

São Cosme e São Damião nasceram Acta e Passio, filhos de uma família nobre cristã, na região da Arábia, por volta de 300 d.C. “Os nomes Cosme e Damião podem ser entendidos quando relacionados ao sincretismo com as religiões afrobrasileiras, em sua relação com as crianças. Cosme significa ‘o enfeitado’ e Damião, ‘o popular’“, explica o Padre Ricardo Nunes, da Paróquia Santíssima Trindade, no Rio de Janeiro. Ainda na juventude, continua ele, foram martirizados, o que justifica o apelo infantil dos santos. A causa da morte, no entanto, é desconhecida. A versão mais popular diz que foram acusados de feitiçaria e degolados. “A sua intercessão vale, sobretudo, para meninos e meninas que são indefesos e, muitas vezes, perdem a própria vida por descaso dos familiares ou da sociedade.”

Desde cedo, Acta e Passio manifestavam a curiosidade pela medicina e decidiram se especializar quando jovens. Depois de estudarem na Síria, retornaram à Ásia Menor, onde defendiam a cura através da união entre ciência e fé espiritual e reafirmavam sua confiança no poder da oração. Segundo o pároco, não exigiam dinheiro pelas consultas: “Eles entenderam que a vida do ser humano é um dom de Deus e, por isso, precisam ser tratadas na gratuidade”.

A imagem de São Cosme e São Damião nem sempre está sozinha. Em algumas casas especializadas na venda de artigos religiosos, uma criança aparece no meio dos irmãos. Este menino se chama Doum e, segundo o sociólogo e pesquisador da UFRJ Muniz Sodré, é um símbolo usado para representar todas as crianças. “É como se esta terceira criança desse continuidade ao ciclo dos santos. O número 2 é um ciclo fechado e a função de Doum é quebrar este ciclo: 3 é o número da movimentação, continuidade, transição”, explica o estudioso.

Para Muniz, este é o culto mais profundo da união do cristianismo e do catolicismo: “Os santos são católicos, mas a cultura é do candomblé. Apesar de não termos tantas comemorações neste dia nas igrejas do Brasil, o candomblé celebra bastante”, conta. “Na Bahia, as pessoas fazem comidas tipicamente africanas e distribuem entre crianças e devotos. Para os adultos, a bebida alcoólica é liberada. Aliás, é a única festa de entidade onde as bebidas são liberadas.”

Festa dos doces

Ainda que os santos sejam intitulados padroeiros dos médicos e farmacêuticos, a fé dos brasileiros independe de categoria trabalhista: para a maioria, basta acreditar. Um exemplo é o comerciante Antônio Augusto Baltazar, que possui uma loja de carimbos na zona norte do Rio de Janeiro. Ele conta que passou por dificuldades financeiras assim que abriu o estabelecimento e, movido pela fé nos santos, decidiu fazer uma promessa. “Não fiz apenas pelo retorno financeiro, sempre tive fé e acredito muito. Mas quando, naquele ano, prometi distribuir doces para as crianças, fui abençoado”, comemora.

Além de ofertar guloseimas, o comerciante, de 63 anos, orgulha-se da participação ativa de sua mulher, Vera Lúcia, na produção das festividades de seu bairro. “Todo ano tem uma celebração com uma mesa recheada de todos os tipos de doces. Uma moça que trabalhou anos na minha casa sempre pede ajuda à minha esposa e, quando podemos, damos uma quantia para os ingredientes do bolo”, diz. No interior da loja de carimbos, uma imagem de São Cosme e São Damião cercada de balas exibe a fé de Antônio no alto de uma prateleira.

A exemplo do casal, a médica Odila França, morada da zona oeste carioca, já é conhecida na vizinhança por conta da farta distribuição de doces que faz há mais de 20 anos. Acostumadas, as crianças já fazem fila em sua porta. “É uma forma de agradecimento. Como eles são protetores das crianças, acreditamos que deixando os pequenos felizes conseguimos agradar os santos”, explica.

Mas atenção, como os doces são distribuídos por carros e há muitas crianças nas ruas, acidentes podem acontecer. Cuidado!

Para entrar no clima da festividade, aprenda uma receita tradicional para compartilhar com amigos e familiares no dia 27 de setembro.

Ingredientes:

4 xícaras (chá) de açúcar

1 xícara (chá) de água

3 ½ xícaras (chá) de coco fresco ralado fino

5 cravos-da-índia

canela de pau

Modo de preparo:

Coloque o açúcar e a água no fogo alto até formar uma calda. Sem mexer, deixe a panela no fogo até que a calda fique em ponto de bala mole.

Retire do fogo e adicione o coco, os cravos-da-índia e um pedaço de canela. Coloque a panela no fogo, mexendo constantemente, até a calda adquirir novamente o ponto de bala mole.

Retire a cocada do fogo e deixe esfriar. Depois, é só cortar em pedacinhos e colocar nos saquinhos.

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