Comportamento 30 de junho, 2016 Por admin

Zuzu: quem é essa mulher? > Eu tenho legitimidade

O abalo inicial transformou-se em energia para a criação da “primeira coleção de moda política da história”. Zuzu usou estampas com silhuetas bélicas, pássaros engaiolados e balas de canhão disparadas contra anjos. O anjo tornou-se o símbolo de Tuti, o filho desaparecido, caracterizando suas coleções de moda: anjos amordaçados, meninos aprisionados, sol atrás das grades, jipes e quepes. Dessa maneira, a sua criatividade audaz e até mesmo o bom humor foram as armas que ela usou contra a ditadura. Costumava dizer: “No meu país acham que moda é frivolidade, futilidade. Tento lhes dizer que moda é comunicação, além de dar emprego para muita gente”, completando que tudo o que fazia era inspirado pela vontade de justiça. “Eu não tenho coragem, coragem tinha meu filho. Eu tenho legitimidade”, dizia.

Foi uma mulher realmente extraordinária que abria as portas à intuição, que se lançava às suas decisões com paixão e coragem

Zuzu morreu em um acidente de automóvel muito estranho. Testemunhas afirmam que havia um jipe do Exército, logo após o acidente, na saída do túnel Dois Irmãos. Poucas semanas antes, sua loja no Rio foi incendiada. Ela própria denunciou as ameaças que vinha recebendo: “Se eu aparecer morta, por acidente ou outro meio, terá sido obra dos assassinos do meu amado filho”. Uma semana antes do desastre que a vitimou fatalmente, Zuzu deixara na casa de Chico Buarque um documento que deveria ser publicado caso algo lhe acontecesse. Em 1981, o compositor fez uma canção em sua homenagem, “Angélica”, em que dizia: “Quem é essa mulher / Que canta como dobra um sino / Queria cantar por meu menino / Que ele já não pode mais cantar “. Zuzu Angel foi sepultada, em 15 de abril de 1976, no Cemitério São João Batista, no Rio de Janeiro.

Ousada, criativa, inovadora, anti-militarista e talentosa, são essas lembranças que a estilista Zuzu Angel deixou para nós. “Foi uma mulher realmente extraordinária que abria as portas à intuição, que se lançava às suas decisões com paixão e coragem”, define o cineasta Sérgio Rezende, que acabou de finalizar “Zuzu Angel”, filme que estréia no dia 14 de abril, lembrando os 30 anos da morte da estilista.

O longa, que traz Patrícia Pillar no papel principal, retrata o período entre 1971 e 1976, tendo como ponto de partida a morte de Stuart, se desenvolvendo na luta de Zuzu e terminando com o acidente fatal. “O filme, apesar de ter corrido sem problemas de produção, exigiu um esforço para revelar com verdade e emoção um dos momentos mais terríveis da vida brasileira ao trazer a público a figura dessa brasileira extraordinária”, encerra Sérgio.

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