Saúde e bem-estar 15 de outubro, 2026 • Por Tatiana Leonel

Quais são as principais tecnologias em estética íntima: queixas e indicações, segundo ginecologista

Soluções não invasivas podem unir benefícios estéticos ao tratamento de diversos desconfortos funcionais

A busca por tratamentos estéticos na região íntima feminina tem crescido à medida que mais mulheres encontram informações de qualidade e um ambiente de acolhimento livre de julgamentos.

De acordo com a Dra. Fernanda Nasser, médica ginecologista, especialista em saúde íntima e criadora da clínica La Femme, o cuidado com a região vai muito além da aparência e deve ser focado em devolver a funcionalidade, o conforto e a autoestima em diferentes fases da vida da mulher.

Tecnologias em estética íntima para mulheres

Motivos para procurar tratamento íntimo

As alterações na região vulvovaginal podem acontecer como resultado do envelhecimento natural, de mudanças hormonais, do pós-parto, de cirurgias ou do emagrecimento acentuado. Segundo a Dra. Fernanda Nasser, a diversidade de motivos que levam a mulher a buscar ajuda médica é bastante ampla.

“A gente atende muita mulher com incontinência urinária, muita mulher com atrofia vaginal, com ressecamento, com alargamento, mulheres que têm excesso de pele, que têm desconfortos diversos relacionados às alterações ginecológicas e que a gente consegue resolver com as tecnologias”, afirmou, durante o Aurora, maior festival de beleza, bem-estar e saúde, que o Mulher participou.

Efeitos do emagrecimento rápido (Análogos de GLP-1)

“Tem muita mulher com vergonha, tem muita mulher com desconfortos em geral apresentando flacidez na região, principalmente com o uso do ‘Mounjaro’ [medicações para emagrecimento]”, alertou a Dra.

De acordo com a ginecologista, “as mulheres emagreceram: o rosto derreteu, a barriga, o braço” e o mesmo se aplica para a região da vulva que “muitas vezes acaba ficando com uma mudança na anatomia”.

“A mulher que já tem aquela habilidade de pegar um espelhinho e olhar, ela já começa a ficar um pouco desconfortável, porque realmente a região perde gordura”, explicou.

GINECOLOGISTA
(Créditos: Freepik)

Menopausa, atrofia e medicamentos

“Na menopausa, a gente vê muitas mulheres apresentando uma queda da libido — que é uma questão mais hormonal, relacionada à alimentação e à atividade física — e também apresentando alguns ressecamentos vaginais”.

“Esses ressecamentos vaginais muitas vezes impedem a mulher de ter um relacionamento, porque se ela vai ter a relação sexual e tem um ressecamento, vai gerar dor, vai gerar desconforto”, seguiu a Dra.

Alterações pós-parto e mudanças anatômicas

“Temos ressecamento, excesso de pele, mudanças depois da maternidade. Tem muita mulher que, depois que teve o seu parto vaginal, vê que tem algumas alterações, começa a ficar mais desconfortável e começa a não querer ter mais relação sexual. Isso vai impactando em diversas esferas do casamento e do relacionamento”.

Uso indevido de hormônios

“A gente tem uma onda de mulheres que fazem o uso de anabolizante, ou até de um hormônio em excesso, que a gente tem visto muito. Alguns colegas pesam a mão no uso de hormônio, prescrevem além do que realmente é indicado e vai acontecer de ter hipertrofia de pele, mudanças anatômicas, e isso vai gerar flacidez”.

Quais são as principais tecnologias em estética íntima

Para atender essas diferentes necessidades de forma individualizada, a ginecologia regenerativa utiliza uma associação de aparelhos tecnológicos, suplementação e, quando necessário, procedimentos cirúrgicos.

“Quando a gente fala em tecnologia, a cada dia que passa o universo vai abrindo mais as oportunidades para que novos equipamentos apareçam. Então a gente vive em constante estudo para poder trazer essas tecnologias dentro dos nossos atendimentos”, reforçou a Dra.

Laser

O laser é uma das tecnologias mais versáteis e consolidadas na saúde íntima. Atua promovendo a reestruturação do tecido, o estímulo à neocolagenogênese e o aumento da vascularização local, sendo fundamental no combate ao ressecamento, à flacidez e à atrofia.

“A gente usa muito laser, fototerapia infravermelho e radiofrequência para todos esses tratamentos (…) A gente trata tudo isso com tecnologias: a gente usa laser, tem equipamentos que estimulam colágeno”.

Radiofrequência e fototerapia infravermelha

A radiofrequência e a luz infravermelha atuam emitindo calor controlado nas camadas profundas da pele e das mucosas. Esse aquecimento estimula a produção de novas fibras de colágeno e elastina, melhorando a firmeza e a circulação sanguínea.

“A gente traz mudança na pele, firmeza, melhora na lubrificação, na anatomia, na sensibilidade e no conforto também”, ressaltou a Dra. Em alguns casos, o ultrassom microfocado também pode ser uma opção, promovendo um efeito lifting e firmeza na vulva sem danificar a camada superficial da pele.

(Crédito: Magnific/senivpetro)

Bioestimuladores de colágeno e preenchimento

Injetáveis podem ser aplicados na região externa (grandes lábios) para devolver o volume perdido com o envelhecimento, além de melhorar a espessura e a firmeza da pele ao longo dos meses.

O preenchimento com ácido hialurônico também pode ser utilizado para volumização e harmonização dos grandes lábios, corrigindo assimetrias e perda tecidual, além de proporcionar profunda hidratação.

Suplementação e ativos associados

O uso de tecnologias de consultório é potencializado quando associado ao cuidado com a nutrição celular e o equilíbrio do organismo, auxiliando o corpo na resposta regenerativa.

“A gente orienta muito as nossas pacientes a tomar o colágeno. A gente orienta a tomar também ácido hialurônico, usar vitaminas, suplementar com minerais e com ativos naturais também, como por exemplo a maca peruana e o tribulus terrestris, que são suplementos da natureza e que ajudam muito as mulheres a resgatar ali a firmeza e melhorar a lubrificação em conjunto com os tratamentos que a gente oferece”.

Cirurgias íntimas e readequação anatômica

Em casos onde há sobra expressiva de tecido ou alterações anatômicas acentuadas, o tratamento tecnológico é associado ou complementado por procedimentos cirúrgicos reparadores.

“A nossa maior especialidade lá são as cirurgias. As cirurgias que vão melhorar aspectos anatômicos da região: a gente trata os excessos de pele, então a gente tem cirurgias de ninfoplastia, cirurgia de períneo, de redução de clitóris. Essas cirurgias vêm também como uma opção de tratamento para esses efeitos colaterais do uso indevido dos hormônios”.

O objetivo do tratamento

A Dra. Fernanda Nasser reforça que o uso combinado dessas tecnologias não busca impor um padrão único de beleza, mas sim devolver a funcionalidade e o bem-estar que cada mulher precisa.

“A gente não quer colocar padrão: a gente quer tratar aquilo que está incomodando, e está tudo bem. Cada uma tem um desconforto diferente: às vezes tem uma paciente que tem flacidez, a outra não tem, mas tem escurecimento. Cada uma vai buscar um tratamento realmente daquilo que está incomodando. A gente não precisa se acostumar com aquilo que está nos incomodando”.

(Crédito: standret/Magnific)

A especialista reforçou também que a transformação gerada pela associação de tecnologias e procedimentos corretos reflete no dia a dia da mulher de forma integral.

“Tudo isso gera muito desconforto funcional também, além do estético. E a gente sabe que a transformação vai muito além do espelho: não é só você olhar, é você vivenciar um dia a dia de mais qualidade”.

“É você conseguir fazer atividade física sem desconforto, pedalar uma bicicleta e não ter dor, vestir uma calça e ela não ficar marcando. É fazer com que as mulheres falem sobre a região íntima sem ter vergonha e comecem a olhar para si mesmas com muito mais carinho e conforto”, conclui.

Saúde da mulher

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