Exashape, nova membrana para implantes usados em reconstrução mamária, é mais aceita pelo organismo e reduz as chances de rejeição ou outras complicações
A reconstrução mamária após a mastectomia, remoção das mamas para tratamento de câncer, pode passar a ter resultados melhores e se tornar um procedimento bem mais confortável nos próximos anos. Isso porque, recentemente, chegou ao Brasil uma membrana inovadora responsável por envolver o implante de silicone ao mesmo tempo em que promove recuperação mais rápida, menos complicação e menos dor no pós-operatório.
Entenda abaixo o que é essa membrana, quais vantagens ela oferece e como acessá-la durante o tratamento:
Exashape: o que é essa membrana inovadora para reconstrução mamária

Ao realizar uma reconstrução mamária, procedimento que busca preencher o tecido mamário após a mastectomia no tratamento de câncer, utiliza-se um implante de silicone. Esse implante, porém, não fica solto, e deve ser envolvido por uma membrana. Há, hoje, membranas sintéticas (artificiais) e biológicas (criadas com tecido natural) – e a Exashape faz parte deste segundo grupo.
Criada a partir de células de pericárdio bovino, tecido que envolve o coração do boi, essa membrana é diferente das demais opções em muitos aspectos. Segundo estudos apresentados pela empresa responsável pelo dispositivo, a italiana Advanced Biomedical Concept, a anatomia dessa membrana permite que médicos a preparem mais rapidamente no momento da cirurgia. Isso diminui muito, por exemplo, os riscos de contaminação.
Além disso, o pericárdio tem duas “camadas”, uma porosa e outra mais compacta. Enquanto a camada compacta dá sustentação e segura a prótese no lugar, a camada porosa traz algo único: maior possibilidade de integração dos tecidos. Isso significa que, com o tempo, o próprio corpo da paciente consegue criar novos vasos sanguíneos na região através da membrana de pericárdio.

Essa integração é importante por muitas razões. Sem ela – ou com uma integração menor –, a possibilidade de rejeição, contratura capsular, formação de seromas (bolsas de líquido) muito grandes, e infecções na mama após a reconstrução aumentam. Essas complicações levam à necessidade de novas cirurgias e piora na qualidade dos resultados da reconstrução.
Tudo isso significa que, com Exoshape, a paciente é beneficiada por:
- Resultados mais naturais e satisfatórios após a reconstrução;
- Menor tempo de recuperação;
- Menos dor no pós-operatório;
- Menor chance de complicações;
- Menor riscos de linfoma derivado da prótese (algo que pode acontecer devido ao seroma).
Indicações de uso da membrana para reconstrução mamária

Mas, afinal, Exashape é compatível com todas as pacientes? Conforme explica Fábio Bagnoli, mastologista e presidente da Sociedade Brasileira de Mastologia Regional de São Paulo, a membrana se adapta melhor a pacientes com determinadas características.
Ela é uma opção para casos em que foi possível preservar bastante pele durante a mastectomia. Além disso, é preciso observar a espessura da pele e da gordura disponíveis para a reconstrução mamária, visto que uma pele muito fina pode não suportar esse tipo de dispositivo. Mulheres com mamas pequenas ou médias são candidatas melhores para o uso da Exashape.
Por fim, a membrana tem resultados melhores quando utilizadas em reconstruções com implante pré-peitoral – ou seja, com a prótese posicionada em cima do músculo, e não atrás dele.
Exashape está no Brasil?

A nova membrana para reconstrução mamária já foi lançada no Brasil pela HPF Aesthetics. Ela já passou pelas análises regulatórias da Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e pode, assim, ser comercializada no País. Isso não significa, porém, que o dispositivo esteja disponível para todos.
A princípio, Exashape está disponível no setor privado. Isso significa que hospitais podem disponibilizá-la para pacientes, mas com um custo, visto que ela ainda não foi incluída no rol de procedimentos e instrumentos da Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) e, portanto, não é coberta por planos de saúde.
Segundo as empresas responsáveis pela membrana, no entanto, a ideia é dar andamento, nos próximos anos, a processos que pedem essa inclusão. Espera-se que, em algum momento, Exashape esteja disponível tanto nos planos de saúde quanto no Sistema Único de Saúde (SUS).

