Saúde e bem-estar 30 de abril, 2026 Por Gabriela Brito

Testosterona baixa: quando saber que está realmente baixa? Reposição é só na menopausa?

Testosterona baixa em mulheres

Saiba quando a testosterona é indicada para mulheres, o que dizem as diretrizes médicas e o uso sem indicação tem riscos

A ideia de “testosterona baixa” em mulheres tem ganhado espaço na internet. Mas sociedades médicas brasileiras alertam que não existe um diagnóstico formal de “deficiência de testosterona feminina”.

A única situação em que a testosterona pode ser considerada para as mulheres é no tratamento do Transtorno do Desejo Sexual Hipoativo (TDSH) na pós-menopausa, após avaliação clínica criteriosa e exclusão de outras causas.

O que é a testosterona?

exame de sangue
(Crédito: freepik/ Magnific)

A testosterona é um dos principais hormônios androgênicos. De forma bem simplificada, isso quer dizer que é responsável por desenvolver características sexuais naturalmente masculinas, como maior massa muscular, voz grave e pelos.

As mulheres também têm, naturalmente, níveis de testosterona no organismo, mas em níveis muito mais baixos que os homens. Esses níveis variam de acordo com a fase reprodutiva, o ciclo menstrual e até a hora do dia. 

Apesar disso, não é recomendada a dosagem de testosterona de forma rotineira. Mesmo nos casos em que a testosterona pode ser considerada como opção terapêutica, não há um ponto de corte definido nos níveis sanguíneos para caracterizar uma deficiência hormonal em mulheres.

Na verdade, a principal indicação clínica para dosagem do hormônio é na investigação de hiperandrogenismo, que é o excesso de testosterona, como parte da avaliação laboratorial de condições como:

  • síndrome dos ovários policísticos (SOP)
  • tumores ovarianos ou adrenais
  • hiperplasia adrenal congênita
  • síndrome de Cushing

Fora desses contextos, a dosagem rotineira não tem respaldo científico, como afirmam a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia, a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia e a Sociedade Brasileira de Cardiologia.

Além disso, não há no Brasil nenhuma formulação de testosterona aprovada pela ANVISA especificamente para uso em mulheres. O uso com objetivos estéticos, melhora de desempenho físico, composição corporal ou antienvelhecimento é contraindicado pelo Conselho Federal de Medicina (CFM) e pode trazer riscos relevantes à saúde, incluindo: 

  • possíveis efeitos cardiovasculares
  • danos ao fígado 
  • infertilidade 
  • alterações irreversíveis como engrossamento da voz e aumento de pelos

Testosterona e menopausa

mulher na menopausa
(Crédito: freepik/ Magnific)

Diferentemente do que se imagina, a testosterona não sofre uma queda abrupta com a menopausa. Sua redução ocorre de forma gradual ao longo da vida adulta.

Esse marco do fim da vida reprodutiva ocorre devido à perda da função dos ovários e declínio nos níveis de estrogênio, hormônio muito importante para o ciclo menstrual.

Sendo assim, também não existem valores de referência para testosterona validados que definem uma “deficiência androgênica feminina” nas fases da menopausa.

Transtorno do Desejo Sexual Hipoativo 

Falta de libido
(Crédito: freepik/ Magnific)

O TDSH é uma disfunção sexual comum entre as mulheres e envolve múltiplos fatores psicológicos, biológicos, comportamentais e relacionais. Gera sintomas como:

  • ausência ou redução do desejo sexual espontâneo
  • pouca ou nenhuma resposta a estímulos eróticos
  • dificuldade em manter o interesse durante a atividade sexual
  • sofrimento ou impacto na qualidade de vida

Mas existem outros fatores associados a queixas sexuais em mulheres, como:

  • uso de medicamentos e condições de saúde
  • transtornos psiquiátricos atuais ou passados
  • histórico de abuso sexual, físico ou emocional
  • crenças e atitudes em relação ao sexo
  • distorções de imagem corporal 
  • uso de álcool e outras substâncias
  • estresse

O desejo sexual em relacionamentos de longa duração também pode ser influenciado por fatores individuais e do casal, como:

  • expectativas em relação ao parceiro
  • autoestima
  • estresse e fadiga
  • intimidade emocional e comunicação
  • compatibilidade e satisfação sexual
  • rotina e monotonia
  • questões de poder, gênero e repressão sexual

A menopausa é outro marco importante da vida da mulher que pode interferir negativamente no sexo. As alterações hormonais tendem a causar:

  • dor na relação 
  • secura vaginal
  • mudanças no corpo

O diagnóstico de TDSH é clínico e não deve ser baseado em níveis hormonais isolados. A testosterona não deve ser utilizada como teste terapêutico.

Em mulheres na pós-menopausa com diagnóstico de TDSH, a testosterona pode ser considerada em doses fisiológicas e por via transdérmica, sempre com acompanhamento médico especializado. 

A avaliação profissional é indispensável para identificar a origem do problema e indicar o tratamento mais adequado.

Este artigo contém informações da Resolução CFM nº 2.333/2023, da nota conjunta da SBEM, FEBRASGO e SBC sobre o uso de testosterona na mulher e dos posicionamentos “Desafios da prescrição da testosterona para disfunção sexual em mulheres” e “Manejo do transtorno do desejo sexual hipoativo em mulheres no ambiente ginecológico”, da Febrasgo.

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