Condição é, muitas vezes, vista como algo normal, mas traz graves prejuízos à saúde
De primeira viagem ou não, a rotina materna faz parecer que o descanso não existe. Afinal, os dias e noites se confundem, as demandas são muitas e a pressão para dar conta de tudo parece estar de todos os lado. Por isso, não é incomum que muitas mulheres sofram com algo que ainda é pouco falado: o burnout materno.
De acordo com um levantamento da Kiddle Pass em parceria com a B2Mamy, 9 em cada 10 mães no Brasil apresentam algum nível de esgotamento parental, sendo 9,37% de sinais de esgotamento grave, 44,2% moderado, 33,99% leve e apenas 9,42% pouco ou nenhum.
Diante de um quadro tão alarmante, então, é importante compreender no que essa condição consiste para saber como preveni-la ou poder ajudar.
O que é o burnout materno?

Embora burnout seja um termo que costuma estar associado ao ambiente de trabalho, ele também pode surgir dentro da atividade da maternidade. Afinal, é comum que haja uma sobrecarga cotidiana, uma pressão social por um maternar idealizado e, muitas vezes, a ausência de uma rede de apoio estruturada.
Diferente das gerações anteriores, contudo, a busca por apoio profissional tem crescido. “Cada vez mais famílias entendem que o cuidado não é um luxo, mas uma necessidade, especialmente durante a gestação e no puerpério”, afirma Jéssica Ramalho, fisioterapeuta e fundadora da Acuidar, maior rede de cuidadores da América Latina.
Além disso, em 2025, foi aprovado o Projeto de Lei que institui a Política Nacional de Apoio e Prevenção da Estafa Mental ou Burnout Materno. Sendo assim, haverá a capacitação de profissionais de Sistema Único de Saúde (SUS) para identificar sinais de esgotamento. Outro ponto importante será a orientação e o acompanhamento multidisciplinar às mães, bem como ações de conscientização e a integração entre saúde, assistência social e educação, com foco na promoção do bem-estar físico, mental e emocional.
Como identificar?
Apesar de toda conscientização, ainda é difícil identificar os sintomas. Isso porque os sinais costumam se misturar com a rotina. “Muitas mulheres seguem funcionando, mesmo já esgotadas, por acreditarem que esse cansaço é parte natural da maternidade. Só que há uma diferença importante entre o desgaste esperado e um esgotamento que não passa”, reforça Jéssica.
De maneira geral, o quadro se instala gradualmente. De início, costuma surgir uma fadiga constante, que evolui para uma sobrecarga permanente, como se as pausas já não fossem possíveis. Além disso, tendem a surgir sinais como:
- irritabilidade, impaciência e dificuldade de lidar com situações do dia a dia
- distanciamento emocional por falta de energia para sustentar tantas demandas
- alterações no sono
- dificuldade de concentração
- esquecimentos recorrentes
- sensação persistente de insuficiência
No entanto, muitas vezes a mãe continua se forçando a parecer dar conta de tudo e não se permite reconhecer o quadro. Por isso, a prevenção é a maior estratégia.
Como prevenir?
A maneira mais eficaz de evitar essa sobrecarga materna está na rede de apoio. Um cuidador, por exemplo, pode aliviar tarefas básicas e permitir que a mãe possa fazer pausas reais para o descanso.
Além disso, é importante ajustar expectativas, fugir da busca pela perfeição e estabelecer limites é muito importante. Para isso, o acompanhamento de um psicólogo e, em alguns casos, uma avaliação médica, são fundamentais.
“Existe uma tendência de normalizar o cansaço extremo, a sobrecarga e até o sofrimento emocional como se fossem inerentes a ser mãe, e não são”, conclui.

