A trajetória de Nívia Gälego, de 57 anos, revela que o desejo pode renascer com delicadeza e no tempo de cada um
Falar sobre luto é falar sobre interrupções: de rotina, expectativas e vínculos. Mas quando o assunto é sexo após o luto, a conversa muda de direção.
Isso porque o luto atravessa todas as dimensões da vida, e a sexualidade não fica de fora desse processo.
Nívia Gälego, participante do reality “Casamento às Cegas”, conhece bem esse desafio.
Viúva há quatro anos, ela enfrentou uma longa jornada até perceber que poderia – e tinha o direito de – se reconectar novamente.
Nívia Gälego fala sobre desejo após o luto

Para Nívia, o marco dessa virada foi sua participação em “Casamento às Cegas”.
Embora não tenha encontrado ali um relacionamento duradouro, o programa despertou algo fundamental: a vontade de caminhar novamente.

“Eu tenho o direito de estar viva. E viver é estar em movimento”, afirmou em entrevista ao “Ysos”, aplicativo de encontros casuais.
Desejo e amor após o luto

Segundo Bárbara Bastos, sexóloga e terapeuta sexual, a travessia costuma começar com um movimento de recolhimento.
“O desejo diminui porque ele precisa de vitalidade e abertura, exatamente o que o luto suspende por um tempo”, explica ela na mesma entrevista concedida por Nívia ao “Ysos”.
Nesse período, é comum que qualquer resquício de prazer venha acompanhado de culpa. No entanto, a profissional reforça que voltar a desejar não é desrespeito ao passado: é sinal de vida retomando seu curso.

Entre os sinais para uma retomada estão a curiosidade por novas conexões, a possibilidade de um toque sem desconforto e a percepção de que o prazer pode nascer de lugares delicados, com ternura.
O ritmo, porém, não segue um cronômetro universal.
“Não existe tempo certo. A retomada da vida sexual é um gesto íntimo de cura. O olhar externo deve ser de respeito, não de cobrança”, conclui Bárbara.






