A escolha da escola > Muitas dúvidas

A psicopedagoga Silvia Amaral de Mello Pinto lembra que, na escolha da escola, a felicidade da criança deve ser o objetivo principal e destaca pontos fundamentais a serem analisados antes dessa decisão.

Por Silvia Amaral de Mello Pinto

Muitos pais nos procuram para auxiliá-los nessa difícil hora da escolha da escola. Por que é difícil? Porque, se é a primeira escola, ficam se questionando:

– Que tipo de escola é melhor?
– Qual metodologia?
– Escola grande ou pequena?

As dúvidas são muitas, na proporção da inexperiência dos pais. Se o filho já está na escola, mas esta por alguma razão não está dando certo, as dúvidas não são menores, porque, afinal, sabe-se apenas o que não se quer para o filho, mas o que será melhor para ele?

Estas angústias fazem parte do processo. E que bom que elas existem! Pior seria se os pais não parassem para pensar o quanto a escolha da escola é importante. Será nela que a criança passará uma grande parte de seu dia e de sua vida. Será com ela que os pais irão partilhar a educação de seus filhos, fato este cada vez mais verdadeiro, pela falta de tempo dos pais na sociedade contemporânea, com uma carga horária de trabalho cada vez maior, inclusive das mulheres, que já não cobrem mais os espaços deixados pela ausência paterna.

Quais seriam então os critérios para a escolha de uma escola? Existem alguns critérios de ordem geral, tais como: instalações, proposta pedagógica, formação dos professores, organização administrativa, localização, atividades extraclasse, preço… No entanto, os mais importantes são os critérios de âmbito individual e familiar. Cabe aos pais refletirem sobre:

– Quais são os seus valores, seus próprios objetivos de vida;
– Como é o seu filho, seu temperamento, seu modo de ser e de agir;
– O seu conceito de educação, suas prioridades nos aspectos de formação e instrução;

Partindo desses três pontos de reflexão, os pais terão melhores condições de escolher a escola adequada a seu filho, a que poderá atender às necessidades daquela criança e às suas expectativas enquanto pessoas e pais. A identidade de valores família-escola é o ponto de partida para que esta empreitada seja bem sucedida.

Vale lembrar que o objetivo de todos é um só: a felicidade da criança. Não a felicidade no futuro mas, desde já, no presente. Assim sendo, não podemos escolher uma pré-escola pensando no vestibular, nem podemos valorizar uma só área do desenvolvimento, em detrimento de outras.

Uma boa escola é aquela que se preocupa com a criança em todos os seus aspectos: físico, cognitivo, afetivo e social. Em alguns momentos, determinados aspectos poderão ser mais dominantes e relevantes, conforme a faixa etária da criança. Mas a escola não pode perder a visão holística, favorecendo o desenvolvimento global de seu aluno.

Assim, mais importante que a metodologia da escola – até porque são raras as escolas seguidoras de um método puro e único – é a sua filosofia educacional. É a partir desta que são estabelecidos os princípios e normas da escola, que por sua vez determinam a prática psicopedagógica e estabelecem todas as relações entre professores, alunos, diretores, coordenadores, funcionários e pais.

A coerência discurso-prática pode ser percebida no cotidiano escolar. Visitando a escola em funcionamento, os pais podem observar suas atividades, o tratamento dado aos alunos, enfim, a “atmosfera” ali vivenciada, para então poderem fazer sua escolha com mais consciência e tranqüilidade.

Silvia Amaral de Mello Pinto é psicopedagoga e coordenadora do Centro de Aprendizagem e Desenvolvimento de São Paulo.