Empoderamento 08 de julho, 2026 Por Bruna Somma

“O sucesso não é ser a única”: a trajetória de Luana Ozemela e o desafio de transformar o poder

luana ozemela

Executiva afirma que ocupar espaços de poder é importante, mas que o verdadeiro desafio é transformar estruturas que limitam as oportunidades para mulheres negras

Criada na periferia de Porto Alegre e filha de militantes do movimento negro, Luana Ozemela aprendeu cedo que desigualdades não devem ser aceitas como algo natural. E foram as conversas dentro de casa, que iam do preço do gás ao racismo estrutural, que ajudaram a construir a visão que hoje orienta sua atuação como CSO e vice-presidente de Impacto e Sustentabilidade do iFood.

No lugar de enxergar a diversidade apenas como um tema de representatividade, Luana hoje busca levar para os espaços de decisão uma pergunta que a acompanha desde a adolescência: quem está sendo incluído e quem continua ficando de fora quando uma decisão é tomada?

O desafio de ser uma das únicas

luana ozemela
(Créditos: Divulgação)

Economista de formação, Luana Ozemela conta, em entrevista ao Mulher, que escolheu a profissão justamente para participar dos debates econômicos e estratégicos em igualdade de condições. “Sem perder o resultado de vista, porque sou economista antes de tudo”, afirma.

Ao longo da carreira, a gaúcha ocupou posições historicamente marcadas pela baixa presença de mulheres negras. Para ela, ser uma das primeiras nesses espaços tem um significado importante: ampliar referências e mostrar que outras mulheres também podem chegar ali.

Mas essa conquista também cobra um preço. Segundo a executiva, quem é visto como exceção costuma precisar provar sua competência constantemente. “Já participei de reuniões em que presumiram que eu estava ali para falar exclusivamente sobre diversidade, quando minha responsabilidade era discutir estratégia de negócios”, relembra.

Ainda assim, Luana afirma que seu objetivo nunca foi ocupar um espaço sozinha: “O verdadeiro sucesso não é ser a única. É contribuir para que, no futuro, ninguém mais precise ser a primeira.”

Histórias de sucesso não bastam

luana ozemela
(Créditos: Divulgação)

Embora reconheça os avanços da presença feminina negra em cargos de liderança, a empresária acredita que conquistas individuais não significam, necessariamente, transformação social.

Afinal, para ela, celebrar mulheres que romperam barreiras é importante, mas a mudança real acontece quando essas trajetórias deixam de depender de um esforço extraordinário.

“Não me impressiono apenas com quem chegou. Quero entender quantas pessoas conseguem chegar, em quanto tempo e por quais caminhos”, pontua.

O legado que veio de casa

luana ozemela
(Créditos: Divulgação)

Quando fala sobre inspiração, Luana volta à própria família. Os pais foram os primeiros da família a ingressar na universidade em uma época em que pessoas negras tinham ainda menos acesso ao ensino superior. A mãe segue atuando no movimento negro até hoje, e foi quem a ensinou que a educação é uma ferramenta capaz de transformar gerações inteiras.

Tal compreensão também orientou sua trajetória profissional, que inclui experiências no Banco Interamericano de Desenvolvimento, a cofundação da BlackWin e, atualmente, o trabalho voltado à inclusão produtiva e ao impacto social no iFood.

Questionada sobre o que diria para meninas negras que sonham em ocupar posições de liderança, já que o seu maior desejo é que as próximas gerações encontrem um caminho menos solitário, Luana é enfática: “Aprendam a língua do poder. Entendam como as decisões são tomadas, como os recursos são distribuídos e como as instituições funcionam.”

Empoderamento

COMPARTILHE: