De acordo com o Instituto Nacional de Câncer (INCA), a estimativa é de que cerca de 17% dos casos podem ser evitáveis – e isso depende de hábitos saudáveis relativamente simples
O câncer de mama é uma doença diversa que não tem uma causa única, e nenhuma mudança de hábito garante que ele não vai aparecer. Ainda assim, uma parte da prevenção pode entrar no dia a dia – e, para entender isso, é importante saber quais são os fatores de risco do câncer de mama diretamente ligados a hábitos (ou à falta deles).
Confira abaixo como a doença surge e o que é possível fazer para diminuir as chances de ter câncer de mama:
Câncer de mama: de onde vem e quais os fatores de risco controláveis
Conforme informa o INCA, o Brasil deve registrar mais de 78,6 mil novos casos de câncer de mama por ano entre 2026 e 2028. Essa doença pode surgir por diversos fatores (ou pela combinação deles) – e é importante saber que, para além do rastreamento, a prevenção também passa por mudanças de hábitos.
Fatores de risco sem possibilidade de controle
De acordo com o A.C.Camargo Cancer Center, o câncer de mama surge quando mutações no material genético de células da mama fazem com que elas passem a se comportar de forma inesperada. Assim, elas começam a se dividir de maneira descontrolada, escapam da morte celular e invadem tecidos próximos. Esse processo, porém, não tem uma causa única.
Nesse contexto, existem fatores de risco inevitáveis – ou seja, que não são possíveis de combater. São eles:
- Avanço da idade: o risco desse processo acontecer com as células aumenta com o passar dos anos, por fatores naturais. É por isso que cerca de quatro em cada cinco casos da doença ocorrem após os 50 anos;
- Fatores genéticos e hereditários: algumas pessoas têm mutações genéticas que, naturalmente, elevam o risco da doença. Elas são comuns, por exemplo, em pessoas que têm histórico familiar de câncer de mama ou de ovário;
- Histórico reprodutivo: ter a primeira menstruação antes dos 12 anos, menopausa após os 55, não ter filhos ou ter a primeira gravidez após os 30 também são fatores de risco para o desenvolvimento da doença;
- Mamas densas: mulheres com tecido mamário fibroglandular (ou seja, mais denso) têm maior risco da doença.
Aqui, é importante frisar que ter qualquer um desses fatores não cria a certeza de que o câncer de mama vai acontecer em algum momento da vida. Estes são apenas fatores que, segundo a ciência, apresentam ligação com aumento nas chances da doença acontecer.

Fatores de risco modificáveis do câncer de mama
Algumas das características ou situações ligadas a uma maior chance de ter câncer de mama, porém, são evitáveis. Conheça cada um deles abaixo:
Álcool
Segundo o INCA, qualquer quantidade de álcool consumida aumenta o risco de desenvolver câncer – e essa relação já foi bastante estudada.
Um relatório da Surgeon General, autoridade de saúde pública norte-americana, por exemplo, cita um estudo australiano que mostrou isso na prática. O estudo demonstrou que o risco de câncer de mama até os 80 anos foi de 11,3% entre quem bebia menos de uma dose de álcool por semana, 13,1% entre quem bebia uma dose por dia e 15,3% entre quem bebia duas. Esse relatório indica que a associação vale para cerveja, vinho e destilados
Sendo assim, cortar o álcool é uma forma de reduzir as chances de ter câncer de mama ao longo da vida – enquanto consumi-lo, mesmo em baixa quantidade, aumenta o risco pouco a pouco.
Obesidade
O excesso de peso é outro fator de risco que aumenta as chances de ter câncer de mama após a menopausa. Isso porque, segundo a American Cancer Society (ACS), nessa fase a maior parte do estrogênio (um dos hormônios femininos) passa a ser produzida no tecido gorduroso. Sendo assim, quanto mais tecido gorduroso, maior tende a ser a produção de estrogênio – e esse hormônio está ligado ao surgimento do câncer.
Assim, a recomendação geral é a de manter o peso sob controle para evitar a ocorrência de diversas doenças, incluindo o câncer de mama.
Sedentarismo
Além da obesidade, a inatividade física também entra para a lista de fatores de risco do INCA, e ele também é evitável. Segundo o World Cancer Research Fund (WCRF), a atividade física é uma possível proteção contra a doença, ainda que não garanta que o câncer nunca vai acontecer.
Nesse contexto, o INCA recomenda ao menos 150 minutos de atividade física por semana, destacando que os benefícios existem mesmo quando o tempo é inferior à recomendação.
Amamentação
Amamentar não é possível para todas as mulheres, pois a decisão envolve condições de saúde, circunstâncias individuais e desejo reprodutivo. Ainda assim, o INCA informa que a amamentação é um fator de proteção contra o câncer de mama pois, durante ela, as taxas de hormônios que favorecem a doença caem, diminuindo a exposição do corpo a eles por um período.
De acordo com a instituição, quanto mais prolongada for a amamentação, maior tende a ser a proteção. Sendo assim, quem deseja ter filhos e tem a oportunidade de amamentar, pode fazer isso também pensando na redução do risco de câncer de mama.

Uso de terapias hormonais
Os hormônios usados na terapia hormonal da menopausa e nos anticoncepcionais estão ligados a um possível aumento no risco de câncer de mama, segundo o INCA. Ainda assim, a realização desses tratamentos leva em conta riscos e benefícios – e, muitas vezes, os benefícios são maiores. Sendo assim, o correto é buscar aconselhamento médico, e não abandonar os tratamentos.
Cuidar dos hábitos não dispensa o rastreamento
Aqui, é importante frisar que mudar hábitos reduz, sim, uma parte dos riscos, mas não os elimina. Por isso, essas mudanças não justificam deixar de lado o rastreamento de câncer de mama – que não previnem a doença, mas aumenta as chances de diagnosticá-lo em estágios iniciais, fator importante para um bom prognóstico.
As recomendações variam conforme a idade e o histórico da mulher. Por isso, vale a pena que mulheres de qualquer idade (especialmente as que têm histórico familiar da doença ou de câncer ovariano) busquem um médico que ajude a entender o risco particular, definindo também a melhor estratégia de rastreamento.
Por padrão, a recomendação é a de realizar mamografias anuais entre os 40 e os 74 anos de idade, por indicação conjunta da Sociedade Brasileira de Mastologia (SBM), do Colégio Brasileiro de Radiologia e Diagnóstico por Imagem (CBR) e da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (Febrasgo).

