Saúde e bem-estar 21 de outubro, 2026 • Por Gabriela Brito

Tratamento do câncer de mama exige atenção à pele durante e depois da terapia

Tratamento do câncer de mama

Ressecamento, acne e alterações nas unhas estão entre os possíveis efeitos do tratamento; veja como adaptar a rotina

O tratamento do câncer de mama pode provocar mudanças na pele, nas unhas e nos cabelos, exigindo cuidados específicos durante e depois da terapia. A criadora de conteúdo e designer Giulianna Nardini, de 25 anos, diagnosticada com a doença aos 21, compartilhou sua experiência em entrevista ao Mulher, após um evento de conscientização sobre o câncer de mama realizado pelo Grupo Orizonti, por meio da Oncomed SP, em parceria com a Galderma, durante o Outubro Rosa.

Giulianna relata que enfrentou acne, ressecamento da pele e alterações nas unhas durante o tratamento, além de ter tido queda de cabelo. A experiência reforça a importância de adaptar a rotina de cuidados às necessidades do organismo. Além de aliviar o desconforto físico, o acompanhamento dermatológico pode ajudar a preservar a autoestima e o bem-estar durante uma fase desafiadora.

Como o tratamento do câncer de mama afeta a pele?

Giselle Sanches e Marcelo Cruz
Giselle Sanches, dermatologista e consultora médica da Galderma, e Marcelo Cruz, oncologista e diretor médico da Oncomed SP (Crédito: Gabriela Brito/ Mulher)

Alguns medicamentos usados no tratamento oncológico interferem na renovação das células e podem provocar reações na pele. Entre as alterações possíveis estão ressecamento, vermelhidão, coceira, acne, manchas e mudanças nas unhas. A queda de cabelo também pode ocorrer, dependendo dos medicamentos utilizados.

“Uma das primeiras queixas que as pacientes trazem são as alterações cutâneas”, explica Giselle Sanches, dermatologista e consultora médica da Galderma.

Segundo a especialista, essas mudanças podem afetar a autoestima e a autoconfiança. Por isso, o cuidado com a pele deve fazer parte do acompanhamento da paciente, com orientações individualizadas para cada etapa do tratamento.

As reações variam de acordo com os medicamentos e com cada pessoa. Por isso, é importante comunicar à equipe de saúde qualquer alteração, em vez de tentar tratar os sintomas por conta própria.

Quais cuidados ajudam a proteger a pele durante o tratamento?

hidratação tratamento oncológico
(Crédito: Magnific/ Magnific)

A rotina deve ser adaptada à sensibilidade da pele e às orientações da equipe responsável pelo tratamento. Alguns cuidados podem ajudar a reduzir o desconforto:

  • Higienização suave: prefira produtos de limpeza que não ressequem a pele, de acordo com a recomendação profissional.
  • Hidratação: use hidratantes adequados à sua pele para ajudar a reduzir o ressecamento. A escolha do produto deve considerar as reações provocadas pelo tratamento.
  • Proteção solar: proteja a pele da exposição ao sol e use protetor solar conforme a orientação da equipe de saúde.
  • Atenção a novos produtos: evite testar ácidos, esfoliantes ou cosméticos que possam irritar a pele sem consultar um dermatologista.
  • Água ao longo do dia: manter uma boa hidratação é importante para o funcionamento do organismo. A quantidade ideal de líquidos varia de pessoa para pessoa e deve seguir a orientação médica, especialmente durante o tratamento oncológico, quando podem existir restrições específicas.

O Instituto Nacional de Câncer (INCA) também orienta manter a pele hidratada durante a quimioterapia e adotar medidas de proteção solar, já que alguns medicamentos podem favorecer o escurecimento da pele exposta à radiação solar.

Giulianna Nardini
Giulianna Nardini passou por um tratamento de câncer aos 21 anos (Crédito: Gabriela Brito/ Mulher)

Cuidados com o couro cabeludo

A queda de cabelo pode tornar o couro cabeludo mais exposto e sensível. Giulianna conta que passou a cuidar dessa região como parte da rotina facial, utilizando produtos suaves e hidratantes.

“A gente precisa lavar direito, a gente precisa hidratar mesmo sem cabelo. Foram dúvidas que levei para o meu dermatologista, e eu lembro que ele falava ‘seu rosto não mais fim, vai até a nuca’. E aí, você lava com o mesmo sabonete do rosto, mais específico para pele sensível, e hidrata com o mesmo hidratante. Passou no rosto, passa na cabeça também.”

É importante escolher os produtos com apoio profissional, especialmente durante a quimioterapia. A pele do couro cabeludo pode exigir cuidados diferentes conforme a fase do tratamento e a presença de irritações.

Acne e alterações nas unhas também merecem atenção

Giulianna relata que teve acne durante o tratamento, principalmente nas regiões próximas ao couro cabeludo, além de fungo nas unhas, que ficaram muito frágeis.

Esses sinais não devem ser tratados como questões apenas estéticas. O dermatologista pode avaliar a causa das alterações e indicar medidas para aliviar os sintomas sem prejudicar o tratamento oncológico.

A atenção deve continuar mesmo depois do fim da quimioterapia. Giulianna conta que sua pele permaneceu sensível e ressecada, o que a levou a manter uma rotina de cuidados mais delicada.

O acompanhamento deve continuar após o tratamento

cuidados pele após tratamento oncológico
(Crédito: Magnific/ Magnific)

O fim da quimioterapia não significa, necessariamente, o fim dos efeitos sobre a pele. Algumas pacientes seguem com outras etapas terapêuticas, como a hormonioterapia, que pode durar anos e também provocar efeitos adversos.

Marcelo Cruz, oncologista e diretor médico da Oncomed SP, destaca a importância de uma avaliação integrada ao longo de todo o tratamento. O acompanhamento permite identificar alterações, ajustar os cuidados e orientar a paciente conforme suas necessidades.

O mais importante é não esperar que o desconforto se torne intenso para buscar ajuda e saber que cuidar da pele durante o tratamento de câncer de mama não é uma questão apenas de vaidade. 

“Dar o suporte para essas alterações cutâneas acaba levando para essa paciente mais conforto, mais segurança e mais longevidade ao tratamento oncológico. Deixar o paciente qualificado o suficiente para conseguir seguir com o tratamento é um passo fundamental”, destacou a dermatologista Giselle.

Referências: entrevista com Giulianna Nardini, criadora de conteúdo e designer; painel com Giselle Sanches, dermatologista e consultora médica da Galderma, e Marcelo Cruz, oncologista e diretor médico da Oncomed SP; orientações Instituto Nacional de Câncer (INCA).

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