Ressecamento, acne e alterações nas unhas estão entre os possíveis efeitos do tratamento; veja como adaptar a rotina
O tratamento do câncer de mama pode provocar mudanças na pele, nas unhas e nos cabelos, exigindo cuidados específicos durante e depois da terapia. A criadora de conteúdo e designer Giulianna Nardini, de 25 anos, diagnosticada com a doença aos 21, compartilhou sua experiência em entrevista ao Mulher, após um evento de conscientização sobre o câncer de mama realizado pelo Grupo Orizonti, por meio da Oncomed SP, em parceria com a Galderma, durante o Outubro Rosa.
Giulianna relata que enfrentou acne, ressecamento da pele e alterações nas unhas durante o tratamento, além de ter tido queda de cabelo. A experiência reforça a importância de adaptar a rotina de cuidados às necessidades do organismo. Além de aliviar o desconforto físico, o acompanhamento dermatológico pode ajudar a preservar a autoestima e o bem-estar durante uma fase desafiadora.
Como o tratamento do câncer de mama afeta a pele?

Alguns medicamentos usados no tratamento oncológico interferem na renovação das células e podem provocar reações na pele. Entre as alterações possíveis estão ressecamento, vermelhidão, coceira, acne, manchas e mudanças nas unhas. A queda de cabelo também pode ocorrer, dependendo dos medicamentos utilizados.
“Uma das primeiras queixas que as pacientes trazem são as alterações cutâneas”, explica Giselle Sanches, dermatologista e consultora médica da Galderma.
Segundo a especialista, essas mudanças podem afetar a autoestima e a autoconfiança. Por isso, o cuidado com a pele deve fazer parte do acompanhamento da paciente, com orientações individualizadas para cada etapa do tratamento.
As reações variam de acordo com os medicamentos e com cada pessoa. Por isso, é importante comunicar à equipe de saúde qualquer alteração, em vez de tentar tratar os sintomas por conta própria.
Quais cuidados ajudam a proteger a pele durante o tratamento?

A rotina deve ser adaptada à sensibilidade da pele e às orientações da equipe responsável pelo tratamento. Alguns cuidados podem ajudar a reduzir o desconforto:
- Higienização suave: prefira produtos de limpeza que não ressequem a pele, de acordo com a recomendação profissional.
- Hidratação: use hidratantes adequados à sua pele para ajudar a reduzir o ressecamento. A escolha do produto deve considerar as reações provocadas pelo tratamento.
- Proteção solar: proteja a pele da exposição ao sol e use protetor solar conforme a orientação da equipe de saúde.
- Atenção a novos produtos: evite testar ácidos, esfoliantes ou cosméticos que possam irritar a pele sem consultar um dermatologista.
- Água ao longo do dia: manter uma boa hidratação é importante para o funcionamento do organismo. A quantidade ideal de líquidos varia de pessoa para pessoa e deve seguir a orientação médica, especialmente durante o tratamento oncológico, quando podem existir restrições específicas.
O Instituto Nacional de Câncer (INCA) também orienta manter a pele hidratada durante a quimioterapia e adotar medidas de proteção solar, já que alguns medicamentos podem favorecer o escurecimento da pele exposta à radiação solar.

Cuidados com o couro cabeludo
A queda de cabelo pode tornar o couro cabeludo mais exposto e sensível. Giulianna conta que passou a cuidar dessa região como parte da rotina facial, utilizando produtos suaves e hidratantes.
“A gente precisa lavar direito, a gente precisa hidratar mesmo sem cabelo. Foram dúvidas que levei para o meu dermatologista, e eu lembro que ele falava ‘seu rosto não mais fim, vai até a nuca’. E aí, você lava com o mesmo sabonete do rosto, mais específico para pele sensível, e hidrata com o mesmo hidratante. Passou no rosto, passa na cabeça também.”
É importante escolher os produtos com apoio profissional, especialmente durante a quimioterapia. A pele do couro cabeludo pode exigir cuidados diferentes conforme a fase do tratamento e a presença de irritações.
Acne e alterações nas unhas também merecem atenção
Giulianna relata que teve acne durante o tratamento, principalmente nas regiões próximas ao couro cabeludo, além de fungo nas unhas, que ficaram muito frágeis.
Esses sinais não devem ser tratados como questões apenas estéticas. O dermatologista pode avaliar a causa das alterações e indicar medidas para aliviar os sintomas sem prejudicar o tratamento oncológico.
A atenção deve continuar mesmo depois do fim da quimioterapia. Giulianna conta que sua pele permaneceu sensível e ressecada, o que a levou a manter uma rotina de cuidados mais delicada.
O acompanhamento deve continuar após o tratamento

O fim da quimioterapia não significa, necessariamente, o fim dos efeitos sobre a pele. Algumas pacientes seguem com outras etapas terapêuticas, como a hormonioterapia, que pode durar anos e também provocar efeitos adversos.
Marcelo Cruz, oncologista e diretor médico da Oncomed SP, destaca a importância de uma avaliação integrada ao longo de todo o tratamento. O acompanhamento permite identificar alterações, ajustar os cuidados e orientar a paciente conforme suas necessidades.
O mais importante é não esperar que o desconforto se torne intenso para buscar ajuda e saber que cuidar da pele durante o tratamento de câncer de mama não é uma questão apenas de vaidade.
“Dar o suporte para essas alterações cutâneas acaba levando para essa paciente mais conforto, mais segurança e mais longevidade ao tratamento oncológico. Deixar o paciente qualificado o suficiente para conseguir seguir com o tratamento é um passo fundamental”, destacou a dermatologista Giselle.
Referências: entrevista com Giulianna Nardini, criadora de conteúdo e designer; painel com Giselle Sanches, dermatologista e consultora médica da Galderma, e Marcelo Cruz, oncologista e diretor médico da Oncomed SP; orientações Instituto Nacional de Câncer (INCA).

