Na busca por métodos contraceptivos, o DIU (dispositivo intrauterino) representa uma das maiores taxas de segurança para mulheres que não querem engravidar: cerca de 99%. E ele é muito recomendado justamente por se dividir entre os hormonais e os não hormonais – afinal não são todas que querem interromper o fluxo menstrual enquanto se previnem.
De acordo com a ginecologista Denise Joffily (CRM-SP: 125.847), não existe um DIU que seja “o melhor para todas as mulheres”. A escolha precisa levar em consideração idade, histórico ginecológico, padrão menstrual, presença de cólicas, tamanho e características do útero, além das expectativas de cada paciente. “É uma decisão que deve ser bastante individualizada”, afirma a profissional.
Abaixo, saiba mais sobre os principais tipos de DIUs disponíveis no mercado:
DIU hormonal

O DIU hormonal funciona liberando pequenas quantidades de levonorgestrel dentro do útero. Assim, ele torna o muco do colo uterino mais espesso e deixa o endométrio mais fino.
Os dois principais DIUs hormonais disponíveis no Brasil – Mirena e Kyleena – duram entre cinco e oito anos, segundo Denise Joffily. “Muitas mulheres apresentam uma redução importante do fluxo menstrual e algumas podem até ficar sem menstruar durante o uso, o que é esperado com esse método”, pontua.
DIU não hormonal
DIU de cobre

O DIU de cobre não contém hormônios. Isso porque o cobre dificulta a ação e a sobrevivência dos espermatozoides no ambiente uterino, prevenindo a fecundação.
“Dependendo do modelo, o DIU de cobre pode permanecer no útero por vários anos. Uma questão é que algumas mulheres podem apresentar aumento do fluxo menstrual ou das cólicas, especialmente nos primeiros meses”, observa a ginecologista.
DIU de prata

Já o chamado DIU de prata é um outro método não hormonal, combinando cobre e prata. Assim como o DIU de cobre, não altera o ciclo menstrual. Entretanto, também não traz garantias de não interferir no aumento do fluxo e cólicas.
“Existem propostas de que alguns desses dispositivos possam proporcionar melhor tolerabilidade para determinadas mulheres, mas não podemos afirmar que o DIU de prata, por si só, reduza o fluxo menstrual e as cólicas de forma consistente”, explica Joffily.
É possível engravidar usando DIU?

Sim, é possível. Afinal, nenhum método contraceptivo é 100% eficaz. O DIU está entre os métodos reversíveis mais eficazes disponíveis, porém ainda existe uma pequena possibilidade de gravidez.
Segundo a ginecologista Denise Joffily, quando uma gravidez acontece com o DIU, é preciso avaliar rapidamente onde está a gestação e o dispositivo, já que é fundamental descartar uma gravidez ectópica – condição em que o óvulo fertilizado se implanta e se desenvolve fora da cavidade uterina.
“O mais importante é que, em caso de suspeita de gravidez, mulheres que usam DIU devem procurar o ginecologista para uma avaliação o mais rápido possível”, ressalta.
Há quem não possa usar DIU?

Uma grande variedade de mulheres pode usar DIU, inclusive mulheres jovens e aquelas que nunca tiveram filhos.
Contudo, existem situações que precisam ser avaliadas antes da inserção. Alguns são exemplos são: infecções pélvicas ou cervicais ativas, sangramentos uterinos sem diagnóstico e determinadas alterações da cavidade uterina.
Para Joffily, o DIU, tanto hormonal quanto não hormonal, é um método excelente para muitas mulheres, mas, de forma individualizada, com informação, segurança e acompanhamento médico.
“Por isso, a consulta antes da colocação é tão importante. Não é simplesmente escolher um DIU e colocar. Precisamos conhecer a história daquela mulher e avaliar qual opção oferece segurança e benefício para ela”, conclui a profissional.

