Incontinência urinária afeta 56% das brasileiras com mais de 40 anos, mas 87% nunca buscaram tratamento
Ondas de calor, insônia e alterações de humor costumam dominar a conversa quando o assunto é menopausa. Contudo, existe outro problema de saúde que afeta milhões de mulheres e ainda é cercado de constrangimento: incontinência urinária.
Por mais seja comum a partir dos 40 anos, o sintoma ainda passa despercebido, é pouco discutido e, muitas vezes, sequer chega ao consultório médico.
O problema que muitas mulheres escondem

Os números ajudam a entender o tamanho do problema. Uma pesquisa realizada pelo Ipsos a pedido da Apsen, divulgada em agosto de 2026, revelou que 56% das brasileiras com mais de 40 anos apresentam escapes de urina. Apesar disso, 87% das mulheres que convivem com a incontinência urinária nunca realizaram nenhum tipo de tratamento.
O cenário chama a atenção justamente porque essa é uma fase em que muitas mulheres começam a experimentar as transformações hormonais da perimenopausa e da menopausa.
O levantamento nacional “Escape do tabu: retratos da incontinência urinária no Brasil” mostra que conhecer a existência de tratamentos não significa, necessariamente, procurar ajuda. Entre as entrevistadas, 58% sabem que a incontinência urinária pode ser tratada, mas apenas 13% das mulheres que apresentam escapes realizam algum tipo de tratamento.

As consequências vão além do desconforto físico. Segundo a pesquisa, 52% das participantes afirmam ter mudado algum hábito por medo de perder urina, seja na escolha das roupas, seja na redução de caminhadas, esportes e outras atividades físicas.
A dificuldade de falar sobre o assunto também aparece nos atendimentos de saúde. Entre as mulheres com incontinência urinária acima dos 50 anos, 64% relatam constrangimento para abordar o problema, inclusive com especialistas.
Vergonha, desinformação e a crença de que a perda de urina é uma consequência inevitável do envelhecimento contribuem para que muitas mulheres convivam com o sintoma sem orientação adequada.
O que a menopausa tem a ver com a perda de urina?

A relação entre as duas condições está nas mudanças hormonais que acompanham essa fase da vida. De acordo com a Dra. Márcia Salvador Geo, coordenadora das equipes de Ginecologia/Obstetrícia e Uroginecologia da Rede Mater Dei de Saúde, a redução dos níveis de estrogênio pode afetar os tecidos da uretra e a musculatura do assoalho pélvico, estruturas importantes para o controle da urina.
“Esse conjunto de alterações tem nome: síndrome geniturinária da menopausa. Por isso muitas mulheres passam a notar escapes ao tossir, rir, espirrar ou se exercitar justamente nessa fase”, explica a especialista.
Outro sinal possível é a urgência urinária, caracterizada por uma vontade súbita e difícil de controlar de ir ao banheiro. Em alguns casos, a perda de urina acontece antes mesmo de a mulher conseguir chegar ao vaso sanitário.

A especialista também destaca que o silêncio em torno do problema também atrasa o cuidado. Muitas pacientes levam anos para falar sobre os escapes por acreditarem que eles fazem parte natural do envelhecimento.
Quanto mais cedo a condição é investigada, maiores são as chances de encontrar uma abordagem adequada para cada caso.

