Saúde e bem-estar 06 de novembro, 2026 • Por Bruna Somma

Mulheres sentem mais dor que homens? Estudo explica diferenças biológicas

Revisão publicada na revista científica “Science” reúne evidências sobre como hormônios, sistema imunológico e microbiota influenciam a experiência feminina da dor

Muitas pessoas dizem que a dor não é sentida da mesma maneira por homens e mulheres – e, segundo uma revisão científica publicada em outubro de 2026, a afirmação faz certo sentido.

Intitulado Sex-specific mechanisms of chronic pain (“Mecanismos específicos do sexo biológico na dor crônica”, em tradução livre), o artigo foi elaborado por pesquisadoras da Universidade da Califórnia, nos Estados Unidos, e propõe que mulheres são desproporcionalmente afetadas por diversas condições dolorosas.

Por que as mulheres sentem mais dor?

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(Créditos: Freepik)

Segundo as evidências reunidas, mulheres apresentam aproximadamente o dobro da frequência de alguns transtornos de dor funcional em comparação aos homens. Entre as condições que aparecem com maior frequência no público feminino estão fibromialgia, enxaqueca, síndrome do intestino irritável, endometriose e dores neuropáticas.

A revisão publicada na Science destaca, por exemplo, que as células responsáveis pela resposta imunológica podem participar de maneiras distintas da manutenção da dor crônica em machos e fêmeas.

Nos homens, algumas células de defesa do sistema nervoso ajudam a controlar as dores. Já nas mulheres, o processo parece envolver principalmente outro tipo de célula de defesa, que também participa das respostas imunológicas do organismo.

Papel dos hormônios nas dores femininas

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(Créditos: Freepik/Magnific)

As oscilações hormonais são outro fator importante para compreender as diferenças entre homens e mulheres.

Afinal, o estrogênio, hormônio sexual presente em maior concentração nas mulheres durante boa parte da vida reprodutiva, participa da regulação do sistema nervoso e das respostas inflamatórias. Dependendo do contexto, ele pode aumentar a sensibilidade de determinadas vias nervosas relacionadas à dor – é o caso da enxaqueca menstrual, que pode surgir ou se intensificar em períodos de queda dos níveis do hormônio.

A testosterona, por sua vez, apresenta efeitos que podem contribuir para a redução da sensibilidade dolorosa.

Intestino também pode influenciar a percepção da dor

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(Créditos: FreePik)

As bactérias que vivem no intestino também podem interferir na percepção da dor. Isso acontece porque a microbiota participa do processamento dos hormônios sexuais, que influenciam a atividade do sistema nervoso.

Esse é um dos motivos pelos quais a doença crônica Síndrome do Intestino Irritável (SII), por exemplo, é mais frequente entre mulheres.

Mulheres sentem mais dor, mas isso não significa que sejam mais resistentes

(Crédito: Divulgação/Magnific)

A revisão também chama atenção para a forma como a dor feminina é tratada socialmente. Cólicas intensas e dores pélvicas, por exemplo, ainda podem ser minimizadas ou atribuídas a fatores emocionais, atrasando diagnósticos.

O estudo, porém, não comprova que mulheres reclamem menos ou sejam mais resistentes à dor.

Por fim, as pesquisadoras defendem que essas particularidades sejam consideradas durante o desenvolvimento de futuros tratamentos. Afinal, elas se tornam imprescindíveis para diagnósticos mais precisos e menos negligência com a dor feminina.

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