Entenda o que é o TDPM (transtorno disfórico pré-menstrual), as diferenças para TPM, os sintomas e possibilidades de tratamento
Em entrevista recente, a empresária Hailey Bieber, esposa do cantor Justin Bieber, falou de um problema com o qual muitas pessoas sofrem, mas que ainda não é tão discutido apesar de sua natureza debilitante. Segundo a empresária, ela sofre de transtorno disfórico pré-menstrual (TDPM) desde que deu à luz o filho do casal em 2024 – e essa condição traz sintomas que podem ser vistos como normais ou fruto de “frescura”, mas não são.
Hailey Bieber fala sobre transtorno disfórico pré-menstrual (TDPM)

Durante entrevista à revista “Women’s Wear Daily”, Hailey Bieber falou recentemente sobre sua experiência com o TDPM, transtorno que amplifica os sintomas da tensão pré-menstrual (TPM) comum e traz ainda questões que impactam fortemente o bem-estar.
“Depois que meu filho nasceu, eu tive um pouco de dificuldade como o [TDPM], e não há muita conversa ou pesquisa sobre isso”, disse ela, que já havia abordado o assunto anteriormente no podcast “SHE MD”. “Para mim, a semana antes da menstruação não era apenas TPM, era uma sensação mental extrema. Tipo: ‘Por que parece que minha vida inteira vai acabar?’”, declarou na época.
TDPM: o que é, diagnóstico, tratamento e mais
Conforme explica a Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO), o TDPM é a forma mais grave da síndrome pré-menstrual, algo que conhecemos popularmente como TPM. O transtorno varia de pessoa para pessoa mas, de forma geral, tem ligação com o humor e à saúde mental, aparecendo depois da ovulação, na semana anterior à menstruação.
Atualmente, inclusive, o TDPM é reconhecido como uma condição distinta no Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais (DSM), guia de classificação de transtornos elaborado pela Associação Americana de Psiquiatria (AAP). Isso significa que não é uma “frescura”, e nem algo que deve ser banalizado, mas sim um quadro que merece avaliação e, em alguns casos, tratamento.
De acordo com uma revisão de pesquisadores da Universidade da Pensilvânia publicada na Current Psychiatry Reports, as causas da condição ainda não são conhecidas. Segundo o estudo, o que muda nas pessoas que têm o transtorno não são os níveis hormonais, mas sim a sensibilidade do sistema nervoso às oscilações hormonais.
Nesse contexto, há sinais de que possa existir predisposição genética para o transtorno, e que questões como histórico familiar de TDPM, depressão, depressão pós-parto ou outros transtornos de humor são fatores de risco para o desenvolvimento da condição.
Além disso, acredita-se ainda que a condição seja subdiagnosticada. Aqui, a hipótese é de que muitas mulheres convivem com o transtorno sem saber que se trata de uma condição, e não apenas da TPM comum. De acordo com a FEBRASGO, o TDPM afeta de 3% a 8% das mulheres.

Sintomas e diferenças entre TDPM e TPM
Em geral, os sintomas de TDPM e TPM são parecidos, e o que muda são fatores como intensidade e o prejuízo funcional sobre a pessoa. Os sintomas variam, mas, segundo a FEBRASGO, o quadro pode incluir, por exemplo:
- Humor deprimido, incluindo tristeza, desesperança ou pensamentos autodepreciativos;
- Ansiedade e sensação de estar “à flor da pele”;
- Instabilidade emocional acentuada, com oscilações fortes de humor, crises de choro e sensibilidade aumentada à rejeição;
- Raiva ou irritabilidade persistente e acentuada (muitas vezes marcada por conflitos nas relações);
- Dificuldade de concentração;
- Sensação de descontrole ou sobrecarga;
- Perda de interesse em atividades e nas relações;
- Fadiga, letargia e falta de energia;
- Mudanças de apetite (incluindo desejo por alimentos específicos ou episódios de compulsão alimentar);
- Alterações do sono (com insônia ou sono em excesso);
- Dor de cabeça;
- Dor muscular ou articular;
- Sensação de inchaço;
- Distensão abdominal.
Aqui, é importante frisar que ter um ou mais desses sintomas não fecha o diagnóstico, e que quadros como o TDPM – assim como depressão e outras condições de saúde mental – requerem atenção especializada.
Diagnóstico de TDPM
O diagnóstico do TDPM requer avaliação médica. Por esse motivo, é importante que pessoas que notem impacto forte dos sintomas pré-menstruais anotem suas queixas de forma detalhada para levar à consulta.
De acordo com o DSM, o diagnóstico leva em consideração:
- Ocorrência de 5 ou mais sintomas da condição (sendo um deles ligado ao humor);
- Presença do quadro na maioria dos ciclos menstruais do último ano;
- Sofrimento ou prejuízo social causado pelo quadro.
Na consulta, o médico costuma fazer uma avaliação que ajude a descartar outros transtornos (como ansiedade ou depressão). Em geral, quem recebe as queixas primeiro é o médico ginecologista, mas, nesses casos, é importante também ter o olhar de um médico psiquiatra sobre o quadro.
Tratamento
O tratamento do TDPM é multifatorial e varia de paciente para paciente. Em geral, ele pode incluir:
- Uso de antidepressivos, que ajudam a lidar com as oscilações de humor (tratamento referência);
- Uso de anticoncepcionais hormonais, que “suspendem” o ciclo e, assim, podem amenizar os sintomas típicos;
- Medicamentos agonistas de GnRH (remédios hormonais que “pausam” o funcionamento dos ovários por tempo determinado);
- Terapia para complementar;
- Mudanças de estilo de vida, com prática regular de exercícios para ajudar a controlar o estresse (não substitui o tratamento referência).

