A síndrome dos ovários policísticos interfere no ciclo menstrual, mas não é sinônimo de infertilidade
A ideia de que mulheres com síndrome dos ovários policísticos (SOP) – distúrbio hormonal caracterizado por desequilíbrios, como excesso de hormônios masculinos, por exemplo – não conseguem engravidar ainda é muito comum. Mas também é muito equivocada.
Segundo a ginecologista Loreta Canivilo, especialista no tratamento de doenças do útero e do endométrio, a afirmação correta é outra: quem tem SOP pode ter mais dificuldade, mas pode, sim, engravidar, especialmente com acompanhamento adequado.
Quem tem SOP não engravida?

Mito. Mulheres que têm SOP podem, sim, engravidar.
O mito surgiu porque a síndrome interfere diretamente na ovulação. Ou seja muitas das mulheres que têm a condição não ovulam todos os meses ou ovulam de forma imprevisível.
E, visto que a gestação depende de uma ovulação regular, a desorganização hormonal reduz estatisticamente as chances de engravidar.
“Não é que a gravidez seja impossível, ela apenas pode demorar mais a acontecer sem tratamento”, explica Loreta Canivilo
SOP não é sinônimo de infertilidade

É importante deixar claro: SOP não significa infertilidade definitiva. Com o tratamento correto, é possível regular a ovulação e aumentar significativamente as chances de gravidez.
“O tratamento consiste em usar medicações que ajudem a regular e coordenar a ovulação, aumentando a possibilidade de engravidar”, afirma a especialista.
O tratamento da SOP com foco em engravidar é, geralmente, voltado para regular e estimular a ovulação.
Ele pode incluir o uso de medicações hormonais específicas, além de ajustes individualizados conforme o perfil de cada mulher.
Risco pouco falado: gravidez sem planejamento

Outro ponto de atenção é que esse mito pode gerar um efeito contrário e perigoso. Isso porque muitas mulheres acreditam que não podem engravidar e acabam tendo relações sexuais sem proteção.
“Essa ideia de que ‘não engravida’ faz com que algumas mulheres relaxem nos métodos contraceptivos. E, como todo mundo sabe, quando a gente menos quer, é quando mais acontece”, alerta Canivilo.






