Fisioterapeuta pediátrico explica por que pais devem observar assimetrias e limitação no pescoço de bebês logo nas primeiras semanas de vida
Dormir de barriga para cima continua sendo a orientação mais segura para os bebês, e essa recomendação salva vidas.
Mas um detalhe pouco discutido tem chamado a atenção de especialistas: o que acontece quando a cabeça do bebê permanece sempre apoiada na mesma região?
Um estudo publicado na American Academy of Pediatrics, na revista Pediatrics, aponta que o costume pode causar a plagiocefalia posicional, que é uma condição caracterizada pelo achatamento assimétrico do crânio.
Plagiocefalia posicional em bebês

Para o fisioterapeuta pediátrico Icaro Ramalho, contudo, a recomendação para o bebê dormir de barriga para cima segue absolutamente correta. O que também precisa fazer parte dessa conversa, segundo ele, é a observação do formato do crânio e da mobilidade do pescoço já nas primeiras semanas de vida.
“Não é que a recomendação esteja errada. Ela salva vidas e continua valendo. O que faltou foi complementar essa orientação: se o bebê dorme de barriga para cima, ele precisa de acompanhamento para garantir que o crânio se desenvolva de forma simétrica”, explica.
O que os estudos mostram

A plagiocefalia posicional acontece quando o bebê passa muito tempo com a mesma região da cabeça apoiada no colchão, no carrinho, no bebê-conforto ou em outras superfícies. Como os ossos do crânio ainda são mais maleáveis nessa fase, a pressão repetida pode modificar o contorno da cabeça.
A literatura científica também descreve uma associação frequente entre a plagiocefalia e o torcicolo muscular congênito.
Segundo Icaro Ramalho, quando existe limitação nos movimentos do pescoço, o bebê tende a manter sempre a mesma posição por desconforto, sem distribuir adequadamente a pressão sobre a cabeça.
“Na grande maioria das vezes, a causa dessa plagiocefalia está relacionada ao torcicolo”, afirma.
Quando procurar avaliação

Entre os sinais de alerta estão a preferência persistente por virar a cabeça para apenas um lado, achatamento visível em uma região do crânio, assimetria facial e dificuldade para acompanhar estímulos dos dois lados. Nesses casos, a recomendação é procurar avaliação com um fisioterapeuta pediátrico.
A orientação de sono seguro, no entanto, não muda: o bebê deve continuar dormindo de barriga para cima.
O que se soma a essa recomendação são medidas simples, como variar os estímulos laterais durante os períodos acordados e incluir momentos de bruços com supervisão.

