Condição é mais comum na infância e pode causar irritação, aumentar risco de infecção urinária e até desconforto íntimo
Quando se fala em fimose, muita gente associa o problema apenas aos meninos. Mas meninas e mulheres também podem apresentar uma condição parecida, conhecida popularmente como “fimose feminina”. O quadro acontece quando os pequenos lábios da vulva ficam parcialmente ou totalmente grudados, cobrindo a região íntima e dificultando a passagem da urina.
O nome médico da condição é sinéquia vaginal ou coalescência dos pequenos lábios. Apesar de ser relativamente comum na infância, especialmente entre bebês e meninas em fase pré-escolar, o assunto ainda gera dúvidas entre famílias e até mesmo entre mulheres adultas, que também podem ser surpreendidas pelo quadro.
O que é a “fimose feminina”?
A cirurgiã e urologista pediátrica Fernanda Ghilardi Leão, do Sabará Hospital Infantil, explica ao Mulher que a condição é caracterizada pela adesão parcial ou completa dos pequenos lábios ao longo da linha média da vulva.
Segundo a especialista, isso costuma acontecer principalmente por conta dos baixos níveis de estrogênio na infância associados a irritações locais. “Trata-se de uma alteração comum em bebês e meninas na fase pré-escolar”, afirma.
A pele da região íntima fica mais fina e delicada, favorecendo que os pequenos lábios acabem “grudando” uns nos outros.
Quais são os sintomas mais comuns?
Os sinais podem variar bastante dependendo da gravidade do quadro. Em muitos casos, a condição é descoberta apenas durante exames de rotina.
A ginecologista Bruna Hashimoto, do Hospital Vivalle, da Rede D’Or, explica que algumas meninas podem apresentar alterações urinárias. “O jato de urina pode sair para os lados e também pode haver gotejamento após terminar de urinar, porque a urina fica retida atrás da membrana”, detalha.
Nos bebês, a irritação vulvar e as infecções urinárias costumam ser os sintomas mais frequentes, complementa Fernanda. Em meninas maiores, podem surgir vulvovaginites, desconforto local e dificuldade para urinar.
Quando a condição merece mais atenção?

Na maioria das vezes, o quadro não é considerado grave. A ginecologista ressalta que muitos casos envolvem apenas uma pequena área aderida, sem bloquear a uretra.
Porém, há situações que exigem acompanhamento médico mais cuidadoso. “Pode ser grave se os lábios estiverem completamente fundidos, deixando apenas um pequeno orifício para a passagem da urina. Nesses casos, o risco de retenção urinária e infecção é alto”, alerta a especialista.
A urologista também destaca que infecções urinárias de repetição e sintomas intensos precisam de avaliação especializada.
A condição pode acontecer na vida adulta?

Embora seja muito mais comum na infância, a sinéquia vaginal também pode aparecer em mulheres adultas.
Segundo Bruna, isso costuma ocorrer principalmente após a menopausa, devido à queda dos níveis de estrogênio. Doenças inflamatórias crônicas, como o líquen escleroso, também podem favorecer cicatrizes e fusão dos tecidos da vulva.
Nesses casos, além das alterações urinárias, algumas mulheres podem sentir dor durante a relação sexual.
Como é feito o tratamento?
O tratamento depende da intensidade dos sintomas e do grau da aderência.
Em crianças sem sintomas importantes, muitos médicos optam apenas pelo acompanhamento, já que o aumento natural do estrogênio na puberdade costuma resolver o problema espontaneamente.
Quando há desconforto, retenção urinária ou infecções, podem ser indicados cremes tópicos com estrogênio ou corticoides.
Em situações mais graves, a separação manual ou cirúrgica pode ser necessária. Mas é de extrema importância nunca tentar separar em casa, por risco de trauma e novas cicatrizes.
Atenção aos sinais faz diferença

As especialistas reforçam que observar alterações urinárias, irritações frequentes ou desconfortos na região íntima é essencial para buscar orientação médica precocemente.
Apesar de a condição gerar preocupação em muitas famílias, a maioria dos casos tem boa evolução e pode ser tratada de forma simples, especialmente quando diagnosticada cedo.

