Associado principalmente à saúde íntima, o HPV também pode atingir a boca, a garganta e a laringe
A rouquidão costuma ser associada a situações corriqueiras, como gripes, refluxo ou uso excessivo da voz. Mas o que pouca gente sabe é que esse sintoma também pode estar relacionado a uma infecção sexualmente transmissível (IST): o HPV (papilomavírus humano).
Apesar de ser mais conhecido por provocar verrugas genitais e alterações no colo do útero, o vírus também pode infectar a boca, a garganta e a laringe.
Segundo a ginecologista, obstetra e mastologista Dra. Denise Joffily, tais lesões interferem na vibração das cordas vocais e podem até resultar em alterações na voz. “Muitas pessoas não sabem disso, justamente porque ainda associam o HPV exclusivamente às relações sexuais com penetração”, explica a especialista.
Como o HPV provoca rouquidão?

O HPV reúne diferentes tipos de vírus, alguns associados a verrugas genitais e outros relacionados a alterações na boca e na garganta. Os tipos 6 e 11 estão frequentemente relacionados ao desenvolvimento de papilomas na laringe, de acordo com o otorrinolaringologista Jamal Azzam.
“A rouquidão causada por HPV pode se manifestar sob a forma de papilomatose da laringe. Esta é uma situação na qual se formam ‘caroços’ nas cordas vocais ou laringe e atrapalham muito a fonação”, detalha.
É importante destacar, porém, que ter HPV genital não significa necessariamente desenvolver lesões na garganta. Nem toda pessoa que entra em contato com o vírus apresenta sintomas ou desenvolve alguma doença.
Diferenças entre rouquidão causada pelo HPV e outras condições

A rouquidão é uma alteração na qualidade da voz e pode ter diversas origens. Entre as causas mais comuns estão o uso inadequado ou excessivo da voz, alterações anatômicas nas cordas vocais, refluxo gastroesofágico e infecções respiratórias.
Segundo Azzam, não é possível identificar a origem do problema apenas pela característica da voz. A avaliação depende de uma investigação médica, que considera o histórico do paciente, sintomas associados e a visualização direta da laringe.
“Rouquidão, por si só, não permite distinguir uma infecção pelo papilomavírus humano (HPV) de outras causas”, ressalta o otorrinolaringologista.
Algumas manifestações podem ajudar a levantar suspeitas sobre a origem da rouquidão. No caso do refluxo, por exemplo, é comum haver pigarro excessivo e tosse seca persistente. Na papilomatose laríngea, por sua vez, a rouquidão tende a ser constante e persistente.
Quando a rouquidão é um sinal de alerta?

Uma rouquidão que persiste por mais de duas semanas, principalmente sem uma causa aparente ou sem apresentar melhora, deve ser investigada. Nesse cenário, a recomendação é procurar um otorrinolaringologista para identificar a origem da alteração.
Entre os exames que podem auxiliar no diagnóstico estão a laringoscopia e a laringoestroboscopia. Os dois permitem visualizar as estruturas da laringe e observar o funcionamento das cordas vocais.
O médico também alerta para outros sintomas que exigem atenção, principalmente quando aparecem associados à rouquidão: tosse com sangue, emagrecimento intenso sem motivo aparente, dificuldade importante para engolir, presença de caroço no pescoço, mal-estar intenso e falta de ar.
Prevenção do HPV na boca e garganta
A prevenção começa com a vacinação contra o HPV, que protege contra diferentes tipos do vírus associados a verrugas e a alguns tipos de câncer, inclusive ao desenvolvimento de papilomatose laríngea.

Outra medida é utilizar preservativos e barreiras de proteção durante o sexo oral, de acordo com Denise Joffily. Contudo, o método ainda não elimina completamente o risco, já que o HPV pode ser transmitido pelo contato entre áreas de pele e mucosas que não estão cobertas.
“Cuidar da saúde feminina é olhar para a mulher de maneira integral. Não podemos falar apenas de um órgão ou de uma doença. Precisamos falar de prevenção, sexualidade, qualidade de vida e, principalmente, de informação”, conclui a ginecologista.

