Mau uso e falta de conscientização durante o tratamento com medicamentos para emagrecer podem gerar o que tem sido chamado não oficialmente de agonorexia
As “canetas emagrecedoras”, como Mounjaro, Ozempic e Wegovy, têm resultados expressivos no tratamento da obesidade. Ainda assim, essas terapias requerem acompanhamento médico especializado e de qualidade – principalmente para não gerar um quadro de agonorexia, novo termo divulgado em forma de alerta pela SBEM (Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia).
Entenda abaixo o que é esse distúrbio relacionado ao uso das canetinhas:
Agonorexia: autoridade médica alerta para “novo” distúrbio

Em suas redes oficiais, a Sociedade Brasileira de Endocrinologia e Metabologia fez um alerta sobre um “novo” distúrbio alimentar ligado ao uso das canetas emagrecedoras.
Medicamentos como Mounjaro e Wegovy têm transformado a vida de muitos pacientes que convivem com obesidade – mas há limites em seu uso e uma necessidade frequentemente ignorada de acompanhamento médico detalhado. A ausência de consciência por parte de pacientes e até profissionais da saúde tem levado, segundo à sociedade médica, a quadros de agonorexia.
Medicações como essas atuam retardando o esvaziamento gástrico e, no caso do Mounjaro, em áreas do cérebro relacionadas ao “food noise”. Por isso, o apetite do paciente diminui, ele come menos e acaba perdendo peso. A redução da fome para além do que é saudável (e a constante vontade de alcançá-la ou mantê-la), é o que caracteriza esse distúrbio.
O termo agonorexia está ligado ao nome das moléculas dos remédios (agonistas de GLP-1), e também à anorexia, distúrbio alimentar em que o paciente evita ao máximo comer. Segundo a SBEM, isso simboliza uma falta de apetite excessiva causada pelos remédios. Confira o pronunciamento oficial da sociedade médica clicando aqui.
Sintomas e riscos da agonorexia

De acordo com a sociedade médica, existe uma diferença grande entre a saciedade terapêutica saudável e a agonorexia. No primeiro caso, o paciente experimenta reduçnao da fome, preservação do interesse em comida, capacidade de consumir nutrientes suficientes e perda de peso com preservação das funções normais do organismo.
- Ao contrário disso, a agonorexia gera:
- Ausência total de fome;
- Desinteresse ou aversão à comida;
- Ingestão proteica insuficiente;
- Longos períodos sem comer;
- Perda de peso acelerada;
- Diminuição da sede;
- Fadiga extrema;
- Náusea persistente;
- Mal-estar sem causa aparente;
- Perda desproporcional de massa muscular.
Esse quadro gera perda de peso expressiva, mas também leva a questões muito sérias envolvendo tanto o metabolismo quanto a saúde mental. Entre os riscos, é possível citar isolamento social relacionado às refeições, desidratação, desnutrição e deficiências vitamínicas.
Como evitar?

Alguns grupos de pessoas estão mais suscetíveis à agonorexia. Sendo assim, esses grupos não devem utilizar as canetas, ou precisam de um monitoramento especializado ainda maior caso haja indicação de uso. São elas:
- Pessoas que não têm obesidade (e, portanto, não têm indicação de uso do medicamento);
- Pessoas que já tiveram uma relação difícil com a comida.
A principal forma de evitar esse distúrbio é recorrer a especialistas em metabologia, endocrinologia e emagrecimento para realizar o tratamento. Assim, é possível entender como está o apetite do paciente e sua relação com a comida durante o tratamento.
Além disso, também é indicado:
- Não aumentar a dose do medicamento rapidamente ou sem prescrição médica;
- Não utilizar o medicamento por estética;
- Buscar acompanhamento nutricional e psicológico, se necessário.






