Saúde e bem-estar 30 de setembro, 2026 • Por Tatiana Leonel

Estudo revela que o organismo das mulheres funciona “seis minutos à frente” do que o dos homens

Médico explicou como essa antecipação do relógio biológico afeta o sono e a saúde mental das mulheres

Um estudo internacional recente, conduzido por cientistas das universidades de Southampton, Stanford e Harvard e publicado na revista científica Sleep Medicine Reviews, revelou que o organismo da mulher opera, em termos biológicos e hormonais, “seis minutos à frente” dos homens.

Essa diferença no relógio biológico mostra que o cérebro e o metabolismo das mulheres respondem muito mais rápido às flutuações do corpo — o que explica por que elas sentem tanto o impacto no sono, no humor e na energia no dia a dia.

O assunto foi o grande destaque da palestra do Dr. Arthur Feltrin, nutrólogo, pneumologista e especialista em medicina integrativa longevidade e estilo de vida, no Festival Aurora — o maior de beleza, saúde e bem-estar — que o Mulher acompanhou de perto.

Organismo das mulheres funciona “seis minutos à frente” dos homens

Com uma tela provocativa ao fundo que trazia a frase “sono é machista” e a matéria sobre o estudo feito pelo The Sun, o médico chamou a atenção para algo sério: a necessidade de entender esse ritmo acelerado que explica como essa sensibilidade biológica se intensifica ao longo da vida, especialmente com a chegada da menopausa.

O estrogênio é o grande protagonista do organismo feminino e participa de mais de 300 reações no corpo. Quando os seus níveis caem no climatério e na menopausa, essa alteração afeta o corpo em três frentes principais:

  • Coração e circulação: O estrogênio ajuda a relaxar os vasos sanguíneos. Quando ele diminui, os vasos ficam mais estreitos, o que aumenta a pressão e o risco de infarto e AVC. Até os 50 anos, os homens infartam mais: depois dessa idade, quando a mulher perde essa proteção hormonal, o risco delas sobe consideravelmente.
  • Ossos fortes: O hormônio estimula as células responsáveis pela formação do osso. A sua falta acelera a perda de densidade óssea, aumentando o risco de osteoporose.
  • Proteção cerebral e humor: O estrogênio se conecta diretamente com o cérebro e age como um protetor neurológico. Quando ele cai, surgem episódios de confusão mental, falta de foco, esquecimentos e oscilações de humor.
mulher na menopausa
(Crédito: freepik/Magnific)

Baseado nos estudos da neurocientista Lisa Moscone, o Dr. Feltrin explicou que exames de imagem no cérebro de mulheres na pós-menopausa mostram receptores de estrogênio “sobrando” sem ter a qual hormônio se ligar. Isso gera a sensação de névoa mental e alteração de humor.

Além disso, a perda acentuada de estrogênio reduz a massa cinzenta do cérebro e aumenta o risco futuro de declínio cognitivo. Por outro lado, a saúde mental responde muito bem aos cuidados: pesquisas apontam que 33% das mulheres com depressão na menopausa apresentam uma melhora importante ao associar a terapia cognitivo-comportamental ao acompanhamento médico.

Sono, rotina e o impacto no trabalho

Como mostrou a pesquisa britânica, as oscilações hormonais acompanham a mulher ao longo de toda a vida (na menstruação, na gravidez e na menopausa). Não por acaso, cerca de 84% das brasileiras na menopausa relatam que dormem mal.

A causa mais frequente é a chamada insônia de manutenção — quando a mulher pega no sono, mas acorda de madrugada (por volta das 2h ou 3h) e não consegue mais adormecer, sintoma ligado à queda da progesterona.

(Crédito: Divulgação/Magnific)

Toda essa alteração biológica reflete diretamente na carreira e na rotina:

  • 47% das brasileiras na menopausa relatam prejuízos ou perda de produtividade no trabalho.
  • 90% afirmam já ter sofrido discriminação por conta dos sintomas ou da idade.
  • 17% sentem medo de contar o que estão passando para os colegas de trabalho.
  • Apenas 11% das matérias na mídia falam sobre o impacto da menopausa na vida profissional.

Para o Dr. Arthur Feltrin, a principal chave é a prevenção antecipada. As alterações no corpo começam cerca de 10 anos antes da menopausa de fato acontecer.

Por isso, por volta dos 35 aos 40 anos, já vale a pena fazer uma avaliação hormonal e bioquímica individualizada, mesmo que a menstruação continue regular.

O médico ressaltou também que a Terapia de Reposição Hormonal (TRH), quando bem indicada, na dose certa e sem contraindicações, é segura, neuroprotetora e devolve a qualidade de vida, trazendo grandes benefícios para o coração, para os ossos e para o cérebro.

No entanto, o médico reforça: o hormônio não faz milagre sozinho. Alimentação equilibrada, treino de força para manter a massa muscular e bom gerenciamento do estresse são indispensáveis.

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